Opinião

Encontro Brasil-Portugal vai gerar US$ 25 milhões
12/06/2007
Brasil e Argentina realizam Operação Prata V
12/06/2007

Brasil e Portugal: é preciso renovar interesses

Brasil e Portugal: é preciso renovar interesses

Alessandro Teixeira

No dia 24 de maio aconteceu em Lisboa o Encontro Internacional de Negócios Brasil – Portugal. Começamos delinear este evento em 2006 ao infundir que Portugal deve ser priorizado nas ações de promoção comercial do Brasil com o mercado internacional.

Criar oportunidades que fomentem o aperfeiçoamento contínuo das relações entre os dois países é, inclusive, um dos alicerces do direcionamento estratégico da APEX-Brasil de 2007 a 2010.

Desde a instalação do Centro de Distribuição de produtos brasileiros, em Vialonga, iniciamos um trabalho com foco que vai além do mercado consumidor português.

Isto é, reconhecemos no país a primazia de tê-lo não somente como parceiro comercial, mas como uma plataforma essencial para os mercados Europeu e do Norte da África.

Assim, ganham os dois lados: o Brasil fortalece suas relações com a União Européia, se projetando como sócio estratégico na América do Sul, e Portugal aumenta sua receita fiscal, bem como a oferta de trabalho.

Podemos acrescentar ainda o beneficio com o incremento da utilização das infra-estruturas aeroportuárias, advindas do aumento do fluxo comercial.

Um bom exemplo de parceria bem sucedida entre Portugal e Brasil foi a compra, pela Embraer, de 65% do capital da OGMA do governo português, criando a Airholding Sgps S.A.

Isto é, por meio de uma marca reconhecida como líder mundial em uma variedade de operações aeroespaciais, inclusive manutenção e produção, a brasileira Embraer conseguiu expandir sua presença na Europa.

Mas além de grandes transações comerciais, é preciso aprofundar o apoio às pequenas e médias empresas, tanto no aporte tecnológico quanto no incremento à linha de produção. Isso pode ser feito incentivando parcerias entre indústrias e estimulando a internacionalização.

São iniciativas que, além do aporte de capital, favorecem ao desenvolvimento de novos produtos e novos canais de distribuição, assistência técnica compartilhada, transferência de know how, criação de novas áreas de competência etc.

Renovar nossos interesses é, portanto, inevitável.

Ano passado a corrente de comércio entre os dois países chegou a US$ 1,7 bilhão, superior aos US$ 543 milhões atingidos 10 anos atrás. Traduzindo: há potencial para uma troca comercial muito maior, bem como de investimentos conjuntos.

O Encontro Internacional de Negócios, acredito, irá promover esse incremento. Nas reuniões que envolverão 30 segmentos da economia brasileira esperamos descobrir novas oportunidades para ambos os lados e discutir formas de cooperação econômica.

A indústria brasileira está apta a oferecer preço, qualidade e variedade em produtos essenciais. Afinal, ela abastece um setor supermercadista que dispõe de mais de 73.600 lojas, o que representa uma área de vendas de 18,9 milhões de m2, responsável por 5,3% do PIB brasileiro em 2006.

Portugal importa 60% dos alimentos e bebidas consumidos no país. O segundo maior item de compra são artigos de moda, cosméticos, produtos de limpeza e calçados.

O Brasil, que tem a sétima indústria têxtil do mundo, exportou mais de US$ 2 bilhões nesse segmento em 2006. Já o setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos dobrou o valor de vendas externas em três anos e superou a média internacional.

Somos o terceiro maior mercado consumidor de cosméticos do mundo, ficando atrás do Japão e Estados Unidos.

Quanto ao setor calçadista, somos o terceiro maior produtor, com uma fabricação de 750 milhões de pares/ano. Temos matéria-prima abundante, mão-de-obra qualificada e flexibilidade para produzir quantidades menores e fazer entregas constantes.

No caso dos principais produtos alimentícios comprados por Portugal – peixes, crustáceos, carnes, cereais, frutas, leite e laticínios, ovos, mel, bebidas alcoólicas e vinagres – exportamos em todos eles, atendendo às mais consistentes demandas.

Fortalecer nossa parceria é, por conseguinte, fundamental. Fatores históricos e atuais demonstram que comungamos dos mesmos valores e renovar permanentemente esta relação é dever de todos nós.

Alessandro Teixeira é o presidente Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX-Brasil).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *