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22/08/2015
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22/08/2015

Cooperação Estratégica

Brasil e Rússia aprofundam parceria técnico-militar e negociações de artilharia antiaérea

Brasília – Autoridades militares do Brasil e da Rússai, com o objetivo de avançar a cooperação técnico-militar entre os dois países, estiveram reunidos no ministério da Defesa, em Brasília, durante a manhã e tarde da última terça-feira, 18. Na ocasião, foi repassado todo o histórico das negociações para aquisição de artilharia antiaérea, as baterias Pantsir. As comitivas eram formadas por profissionais da Defesa e do ministério das Relações Exteriores. Os temas abordados voltarão a ser debatidos em setembro, quando ocorrerá a IX Reunião da Comissão Intergovernamental de Cooperação (CIC) Brasil-Rússia, em Moscou.

De acordo com o subchefe de Assuntos Internacionais do MD, general Décio Luís Schons, o relacionamento bilateral em temas de defesa são muito positivos e com boas perspectivas de futuras parcerias. Segundo ele, “precisamos ultrapassar nossas diferenças culturais no campo militar, particularmente no que diz respeito a operação e manutenção de equipamentos. Antes de mais nada, devemos construir confiança e credibilidade”, afirmou.

A delegação russa, chefiada por Vladimir Tikhomirov, do Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar, elencou os tópicos de interesse para acordos conjuntos. Além das baterias Pantsir, ele citou o contrato de OFF-SET (compensação comercial) dos helicópteros MI-35 e a criação de um centro de manutenção para essas aeronaves; e apresentou um sistema de segurança integrada que inclui os mísseis Bal e Bastión.

Sobre o tema artilharia antiaérea, o chefe da Assessoria para os Setores Estratégicos de Defesa, general Aderico Mattioli, explicou que os estudos acerca do material a ser adotado datam de 2011. A Estratégia Nacional de Defesa, um dos documentos-base do MD, previa que o país tivesse capacidade de resposta a ameaças aéreas à média altura. Para isso, foram feitas pesquisas até chegar à escolha pelo sistema russo Pantsir. Atualmente existe grupo de trabalho específico para o tema.

O ministério da Defesa confirma que o Brasil possui demanda inicial de 14 baterias antiaéreas de baixa altura e mais sete de média altura. A ideia é que a aquisição do equipamento ocorra junto com transferência de tecnologia, para que cada bateria tenha graus de nacionalização maior, de maneira progressiva, até se totalmente produzida no Brasil.

A ideia inicial era que essas baterias já estivessem em operação para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Diante da crise, as negociações atrasaram e agora, o Brasil tentará a cessão sem custos, de algumas das baterias para a seguraça das Olímpiadas.

O projeto para a compra prevê a participação de empresas estratégicas de defesa, o que beneficiaria a indústria nacional deste setor. As negociações estão em andamento.

“É a primeira vez que compramos um sistema conjunto. Para nós, é uma experiência nova e representa parceria estratégica. A partir da assinatura do contrato, os prazos de entrega serão ajustados de acordo com as possibilidades russas de fornecimento e com as nossas necessidades”, ressaltou o general Mattioli.

De acordo com a comitiva russa, o programa do Pantsir está em curso há três anos e já foram feitos exercícios de tiro pelo ministério da Defesa Russo. A etapa exploratória do projeto está concluída. “Concordamos com a transferência irrestrita de tecnologia e necessidade de suporte pós venda. Vamos capacitar parceiros brasileiros que realizarão esse suporte. Estamos tendo progressos”, assegurou Tikhomirov.

MI-35

Acerca dos helicópteros russos, o general Schons lembrou que o Brasil adquiriu recentemente o modelo de ataque MI-35. São ao todo 12 unidades já entregues para o país. A intenção é que os ajustes no acordo de OFF-SET sejam feitos o mais rápido possível – e que esta tarefa esteja concluída em setembro. Nos dias 14 e 15, será realizada a IX Reunião CIC Brasil/Rússia de Cooperação Governamental. Na ocasião, os temas levantados no encontro desta subcomissão de cooperação técnico-militar poderão ser apresentados pela delegação brasileira em Moscou.

Sistema Integrado

A comitiva da Rússia manifestou ainda interesse em apresentar ao Brasil o seu Sistema Automatizado Complexo “Cidade Segura”. A técnica foi desenvolvida para os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, realizados em 2014.

Segundo eles, o evento esportivo reuniu 88 países e contou com a visita de 51 presidentes. O sistema inclui câmeras e sensores que podem ser adquiridos separadamente. Os russos colocaram-se à disposição para esmiuçar todo o uso e particularidades da tecnologia.

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