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Defesa Antiaérea

Brasil e Rússia decidem ampliar e fortalecer cooperação em Defesa

Brasília – No dia 27 de janeiro, o Exército Brasileiro recebeu um lote de mísseis portáteis Igla-S, de fabricação russa e que serão distribuídos à 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea, localizada em Guarujá (SP), unidade subordinada ao Comando Militar do Sudeste. A informação foi confirmada pelo próprio Exército nesta quarta-feira, 10, e é parte da decisão do Brasil e da Rússia de ampliar e fortalecer a cooperação em Defesa.

No dia 4, o embaixador russo no Brasil, Sergey Pogóssovitch Akopov, reuniu-se com o ministro da Defesa, Aldo Rebelo, para tratar da agenda bilateral em Defesa. Os dois países seguem negociando a aquisição pelo Brasil do sistema Pantsir-1. A compra do Igla-S foi tratada diretamente pelos presidentes Vladimir Putin e Dilma Rousseff, em dezembro de 2012. A decisão, no entanto, só foi tomada no final do ano passado.

Os mísseis Igla-S são de curto alcance e podem ser operados por um único militar. Atingem uma altitude de 3,5 mil metros, com alcance de 6 km e velocidade duas vezes a do som, ou seja, cerca de 2,5 mil km/h. O Igla-S pesa apenas 10,6 Kg. No entanto, haverá pouca transferência de tecnologia. A Rússia garante transferência de conhecimento apenas para alguns componentes.

Agenda

Brasil e Rússia querem ainda a ampliar a cooperação técnico-militar. "O Brasil e a Rússia têm muito a ganhar no intercâmbio de Defesa. O Brasil é um espaço de cooperação aqui no Ocidente, temos nos esforçado para desenvolver nossa indústria de defesa e manter as Forças Armadas no estado da arte", afirmou Rebelo.

Na avaliação do ministro, um dos ativos principais desta relação é a confiança mútua estabelecida que permite mais avanços: "Seria interessante a Rússia conhecer nossa doutrina militar de forma mais próxima e o reconhecimento do terreno, que é diferente", explicou.

Neste sentido, de acordo com o ministério da Defesa, Aldo Rebelo convidou o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, para que venha ao Brasil e conheça unidades militares e visite a região Amazônica.

Aldo destacou ainda a parceria no setor aeroespacial com a expansão, no Brasil, do projeto Sistema de Navegação Global por Satélite Glonass, desenvolvido pela Rússia, e lembrou da instalação no país, em 2015, do escritório da empresa estatal atômica Rosatom. A cooperação russo-brasileira no setor nuclear é regida por um acordo sobre a utilização pacífica da energia nuclear, assinado em 1994, confirmou o MD.

"Estamos absolutamente certos de que o Brasil deseja sua independência tecnológica para defender seus recursos naturais. Nós também temos essa tarefa", salientou o embaixador russo.

Akopov apontou algumas áreas nas quais já ocorrem cooperação militar bilaterais, como médica, formação militar e engenharia. "O contrato dos helicópteros MI-35M foi praticamente cumprido com a entrega das 12 unidades", revelou. Ele afirmou ainda que serão instalados centros de treinamento de pilotos e de manutenção das aeronaves no Brasil.

A Rússia tem interesse ainda em cooperar no desenvolvimento e lançamento de veículos lançadores de satélites, no fornecimento de peças para submarinos e sistemas de defesa antiaérea. O embaixador aproveitou para convidar Aldo Rebelo para participar, em abril, da 5ª Conferência Internacional de Segurança, que ocorrerá em Moscou, e do Fórum Técnico-Militar Internacional Army 2016, em setembro, na cidade de Kubinka. O ministro recebeu também convite para participar dos II Jogos Internacionais Militares, que tem início em julho, na Rússia e Cazaquistão.

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