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Brasil: equilíbrio entre Israel, Palestina e Irã

Brasil: equilíbrio entre Israel, Palestina e Irã

Em menos de 15 dias, o Brasil terá recebido os presidente de Israel, Shimon Peres, da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

 

Para o governo, trata-se de um teste de fogo para a sua política exterior. Os resultados das três visitas, somados, podem abrir ou fechar muitas portas para o país junto a comunidade internacional.

 

O primeiro a chegar foi Shimon Peres que viu muita coisa, mas que tinha uma única missão específica: evitar que Lula se encontrasse com o líder iraniano, o que deve acontecer na próxima segunda-feira, 23, em Brasília.

 

Nesta sexta-feira, Lula esteve com o palestino Abbas que também teve Ahmadinejad como tema principal.

 

Mahmoud Abbas acredita que Lula poderá conseguir influenciar o iraniano a retirar seu apoio ao grupo islâmico Hamas. Abbas também acusa Israel de dividir os palestinos e de não querer a paz na região.

 

O Brasil enfrentou pressões de todos os lados, inclusive dos Estados Unidos e da União Européia para não receber Ahmadinejad, mas não houve recuo.

 

Agora, a comunidade internacional espera que Lula fale com o iraniano sobre o seu programa nuclear, a perseguição do governo contra os Baha’i e a insistência de Ahmadinejad em querer varrer Israel do mapa.

 

Palestina

 

Em pelo menos duas oportunidades o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou à Assembléia-Geral da ONU sobre a necessidade de novos atores participarem do processo de paz no Oriente Médio.

 

Mahmoud Abbas pretende pedir que Lula assuma esse papel. Para o palestino, o presidente brasileiro é respeitado por árabes e judeus. Ele também confirmou que não vai disputar as próximas eleições como queria o governo brasileiro.

 

Na sua avaliação, Israel deveria seguir as determinações do acordo que ficou conhecido como “Mapa do Caminho”, encerrando com qualquer tipo de expansão.

 

Essa também é a posição do Brasil expressada recentemente em nota oficial do ministério das Relações Exteriores.

 

Abbas afirmou que a Autoridade Palestina não pretende proclamar a independência de forma unilateral, mas que o assunto deverá ser encaminhado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas depois que a Liga Árabe fechar um projeto a respeito.

 

Irã

Neste final de semana, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad chega à Brasília com um grupo de 300 empresários para assinar 24 acordos de energia, petroquímica, alimentos e medicamentos, entre outros.

 

Ele deveria ter vindo em maio, mas com dificuldades para garantir a reeleição, preferiu cancelar a viagem. O Irã avalia que o encontro entre Ahmadinejad e Lula poderá contribuir para uma imagem positiva do país e de seu presidente.

 

Na segunda-feira, Ahmadinejad será recebido no Congresso onde é criticado com freqüência. Uma audiência pública foi realizada a cerca de dois meses para discutir as violações contra os direitos humanos naquele país.

 

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também participará dos encontros entre empresários e os dois presidentes.

 

Análise da Notícia

 

Uma solução para o conflito entre israelenses e palestinos parece distante, muito distante, embora o Brasil dê sinais de que pretende atuar com vigor nesta direção.

 

A política exterior, no entanto, conseguiu suportar as pressões e manteve os encontros com alguns dos principais atores regionais.

 

Ao receber Shimon Peres, Mahmoud Abbas e Mahmoud Ahmadinejad, o Brasil está dizendo ao mundo que dialoga com todos.

 

E tem que ser assim mesmo. Isolar A ou B só contribui com mais tensões.

 

No entanto, não bastam encontros para as fotos e formalidades. É preciso dizer a cada um o que pensa o governo a respeito.

 

Se o Brasil é procurado por conta do respeito que nos têm, temos que tirar o melhor proveito disso.

 

Sem interferirmos nas questões internas de Israel, Palestina e Irã, podemos contribuir ao produzirmos uma crítica divorciada da ideologia.

 

Os resultados vão mostrar se de fato entramos nesse jogo para jogar ou apenas para assistir.

 

Também é importante destacar que as datas muito próximas entre uma visita e outra não foi mera coincidência. Há um simbolismo importante aí.

 

Nesta quinta-feira, por exemplo, a mensagem do Executivo brasileiro que cede um terreno para a construção da futura embaixada palestina em Brasília chegou ao Senado após ser aprovada na Câmara dos Deputados.

 

Em janeiro, o Brasil assume mais uma vez uma cadeira no Conselho de Segurança das Nações Unidas e além de Haiti e a própria reforma do sistema ONU poderia influenciar para que as questões do Oriente Médio fossem tratadas de forma concreta, com menos retórica.

 

O problema está na posição dos Estados Unidos. Com dez meses de governo, Barack Obama já voltou atrás em pelo menos duas questões fundamentais: o fechamento da prisão de Guantánamo e o conflito israelo-palestino.

 

Todo mundo sabe que sem os Estados Unidos acordo algum prospera. Além disso, como membro permanente do Conselho de Segurança, os norte-americanos não pensarão duas vezes para usar o poder de veto de que dispõem.

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