Brasília, 19 de janeiro de 2020 - 15h23
Brasil fechou 2019 com US$ 401,3 bilhões em seu comércio exterior

Brasil fechou 2019 com US$ 401,3 bilhões em seu comércio exterior

13 de janeiro de 2020 - 15:02:41
por: Marcelo Rech
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Brasília – Apesar da crise e das instabilidades em todo o mundo, a balança comercial brasileira fechou 2019 com uma corrente de comércio de US$ 401,363 bilhões e superávit de US$ 46,674 bilhões. Os dados foram divulgados na quinta-feira, 2, pela Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia.

De acordo com o Ministério da Economia, na corrente de comércio, houve recuo de 5,7% sobre os US$ 420,495 bilhões do ano anterior, enquanto o saldo comercial diminuiu 20,5%, pela média diária, em relação ao de 2018, quando ficou em US$ 58,033 bilhões.

No acumulado de 2019, as exportações brasileiras chegaram a US$ 224,018 bilhões, 7,5% abaixo de 2018, quando totalizaram US$ 239,264 bilhões. As importações em 2019 somaram US$ 177,344 bilhões, com uma diminuição de 3,3% sobre os US$ 181,231 bilhões de 2018.

Para o Secretário de Comércio Exterior da Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, Lucas Ferraz, o desempenho da balança comercial brasileira em 2019 refletiu aspectos adversos da conjuntura internacional, como o menor crescimento do PIB mundial – de 3,5% em 2018 para 3% no ano passado – e do comércio mundial – de 3,7% para 1,2%. “O crescimento do comércio global em 2019 é o menor em uma década, desde 2009”, destacou.

Além disso, explicou, o Brasil sentiu diretamente os impactos do aprofundamento da crise argentina, que afetou as exportações de manufaturados, principalmente automóveis e autopeças, com redução de US$ 5,2 bilhões. Outro problema foi a crise da febre suína na China, que teve impacto negativo de US$ 6,7 bilhões sobre as exportações de soja, “nem de longe compensado pelo aumento das exportações de carne”, afirmou.

Sem esses dois fatores, o volume das exportações brasileiras sairia de uma redução de 0,3% para uma alta de 2% em 2019, superando o crescimento médio mundial, de 1,2%. “Quando medimos o comércio em volume embarcado por toneladas e neutralizamos os choques de curto prazo, vemos que estamos crescendo 67% acima do desempenho mundial”, ressaltou Ferraz.

Ele destacou também que o foco central da agenda de comércio do governo não passa pela obtenção de saldos comerciais. “É importante ter em mente que agenda de comércio internacional do governo pretende ser uma dimensão a mais, um alicerce a mais, no que é entendido como necessário para o crescimento a longo prazo da economia brasileira e que está estagnado há 40 anos. Essa variável se chama produtividade”, frisou.

“O nosso objetivo fundamental é aumentar o grau de integração da economia brasileira e, com isso, contribuir para o aumento da nossa produtividade, para o crescimento de longo prazo e para a geração de emprego e renda”, explicou.

O principal, segundo Ferraz, é o aumento da corrente de comércio – soma das exportações e importações – sobre o Produto Interno Bruto (PIB). Hoje, esse número gira ao redor de 24%, muito aquém do que se esperaria para uma economia com as dimensões da brasileira. “Essa é a nossa métrica, a métrica da integração”, afirmou.

Destaques

As exportações apresentaram diminuição nas vendas das três categorias de produtos: manufaturados (-11,1%), para US$ 77,452 bilhões; semimanufaturados (-8%), para US$ 28,378 bilhões; e básicos (-2%), para US$ 118,180 bilhões. Nos manufaturados, além da retração em plataforma para extração de petróleo (-51,4%), destaca-se a diminuição das vendas de veículos de carga (-35,3%), automóveis de passageiros (-27,5%), laminados planos de ferro/aço (-22,8%), autopeças (-18,8%) e polímeros plásticos (-14,1%).

Já nos semimanufaturados, as maiores quedas ocorreram nas vendas de óleo de soja em bruto (-36,9%), couros e peles (-21,3%), semimanufaturados de ferro/aço (-17,9%), açúcar em bruto (-17,1%), celulose (-10,3%) e madeira serrada ou fendida (-10,2%). Nos produtos básicos, houve diminuição da receita de soja em grãos (-21,3%), minério de cobre (-15,7%), farelo de soja (-12,9%) e petróleo em bruto (-7,1%).

Destinos

Os principais países de destino das exportações brasileiras em 2019 foram China, Hong Kong e Macau (US$ 65,389 bilhões); Estados Unidos (US$ 29,556 bilhões); Países Baixos (US$ 10,100 bilhões); Argentina (US$ 9,714 bilhões); e Japão (US$ 5,410 bilhões). Por mercados compradores, cresceram as vendas para Oceania (+12,8%), Oriente Médio (+9,1%) e Estados Unidos (+1,8%).

A crise argentina impactou as vendas para o MERCOSUL, que caíram 30,6%, sendo que para a Argentina a redução foi de 35,6%, por conta de automóveis de passageiros, veículos de carga, autopeças, tratores, minério de ferro, laminados planos de ferro/aço, soja em grãos e óleos combustíveis.

Para a América Central e Caribe (-20,1%), União Europeia (-16,4%), África (-8,1%) e Ásia (-1,8%) também houve retração nas vendas. Só para China, Hong Kong e Macau a redução foi de 3,1%, para US$ 65,4 bilhões, por conta de soja em grãos, celulose, couros e peles, aviões, hidrocarbonetos e derivados halogenados, bombas, compressores e partes, farelo de soja e minério de alumínio.

Importações

No acumulado de janeiro a dezembro de 2019, quando comparado com igual período anterior, houve queda nas importações de bens de capital (-12,8%), bens de consumo (-4,5%) e combustíveis e lubrificantes (-7,3%). Por outro lado, cresceram as compras de bens intermediários (+0,4%).

 

Por mercados fornecedores, houve redução nas compras da América Central e Caribe (-33,3%), África (-16,6%), Oceania (-14,8%), União Europeia (-5,2%), MERCOSUL (-4,1%), Oriente Médio (-3%) e Ásia (-1,4%). Por outro lado, aumentaram as importações originárias dos Estados Unidos (+2,6%).

Os principais países de origem das importações foram China, Hong Kong e Macau (US$ 35,881 bilhões), Estados Unidos (US$ 30,086 bilhões), Argentina (US$ 10,552 bilhões), Alemanha (US$ 10,281 bilhões) e Coreia do Sul (US$ 4,706 bilhões).