Brasília, 13 de dezembro de 2018 - 07h50

Geopolítica

22 de novembro de 2015
por: InfoRel
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Brasília – O Brasil firmou um acordo de cooperação marinha com a União Europeia por ocasião da reunião entre o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, e o comissário europeu para Pesquisa, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, realizada no Rio de Janeiro na terça-feira, 17. Na oportunidade, os dois assinaram uma declaração conjunta de intenções a fim de ampliar a cooperação entre o Brasil e a União Europeia (UE) em pesquisas oceanográficas focadas no Oceano Atlântico.



O MCTI informou que o acordo abrange projetos relacionados a abordagem ecossistêmica; mudanças climáticas; sistema de observação e modelagem; segurança marítima; saúde e bem-estar; protocolos de amostragem; acesso e uso de dados; e novas tecnologias para atender as necessidades da sociedade.



Para o ministro Celso Pansera, o acordo bilateral é estratégico, tanto para o Brasil quanto para a União Europeia por permitir um intercâmbio maior entre os pesquisadores das duas regiões. Além disso, ele frisou a relevância brasileira na pesquisa do Atlântico Sul, parte fundamental para entender o funcionamento de todo o Atlântico, inclusive nas suas porções Tropical e Norte.



"A proposta de uma colaboração em pesquisa no Atlântico permite intensificar a troca de pesquisadores e a formação conjunta de recursos humanos em pesquisa marinha, bem como aumentar a produção de conhecimento sobre o Atlântico. O Brasil é, hoje, um parceiro importante na pesquisa oceânica global. Fato é que a pesquisa oceânica de escala global não pode ser realizada senão pelas vias colaborativas e da intensa troca entre parceiros, em especial parceiros da Europa", completou.



Atualmente, a UE conta com 11 projetos de pesquisa marinha no Atlântico Norte. Segundo Carlos Moedas, é possível aplicar parte do conhecimento adquirido nos estudos naquela região na parte austral do oceano. Para tanto, é preciso maturar a parceria com o Brasil no Atlântico Sul. O comissário europeu estipulou um prazo de seis meses para estruturar todo o projeto.



"A experiência que temos é que queremos montar no próximo ano um programa de ciência em que vamos ter exatamente os tópicos no detalhe do que poderemos fazer em conjunto. No nosso acordo sobre o Atlântico Norte temos 11 projetos em funcionamento, alguns deles em parceria com o próprio Brasil, a África do Sul. Poderemos replicar, eventualmente, projetos muito similares a esse, e os projetos do Norte também poderão funcionar com o próprio Sul", explicou.



"O Atlântico é um só. Teremos seis meses para avaliar e ver todos esses números. Primeiro, é importante a vontade política, e depois definir um programa de ciência", observou Moedas.



Agenda



Sete áreas foram elencadas como prioritárias para a cooperação bilateral: observação oceânica transatlântica e sistemas de previsão; segurança alimentar, incluindo aquicultura; conservação e uso sustentável da biodiversidade do Atlântico, incluindo usos inovadores como biotecnologia; tecnologia oceânica; mentalidade marinha; interações continente-oceano, incluindo fluxo de nutrientes; e pesquisa polar, especialmente as interligações entre o Atlântico e a Antártica.



Os temas selecionados foram discutidos no Workshop Cooperação Brasil-União Europeia em Pesquisa Marinha, que reuniu pesquisadores brasileiros e europeus para discutir aspectos da cooperação entre as duas regiões.



"São vários os campos para o fortalecimento dessas atividades e que essas potencialidades foram perfeitamente levantadas e discutidas durante as sessões. Diante desta constatação, quero reiterar o compromisso do MCTI e do governo brasileiro em aprofundar os laços com a União Europeia em pesquisa marinha", ressaltou Pansera.



Pesquisa conjunta



Com o acordo de cooperação, Brasil e União e União Europeia passam a compartilhar informações sobre as atividades desenvolvidas em cada área e a discutir as prioridades para ações conjuntas, o que vai permitir a identificação de desafios e metas comuns, bem como oportunidades de cooperação técnica e científica e o compartilhamento de apoio técnico e logístico.



Além disso, o planejamento das atividades de pesquisa e processos inovadores será alinhado e complementado entre pesquisadores brasileiros e europeus para assegurar sinergias e evitar eventual duplicação de esforços para pesquisa marinha no âmbito da cooperação bilateral. A parceria prevê ainda o intercâmbio de pesquisadores e técnicos entre universidades e institutos de pesquisa brasileiros e europeus.



Parte importante desta parceria é o Navio de Pesquisa Hidroceanográfico Vital de Oliveira. A estrutura de laboratórios da embarcação será um fator preponderante para a qualidade dos estudos a serem conduzidos pela parceria entre brasileiros e europeus, de acordo com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação.



O Vital de Oliveira está em missão conjunta entre Brasil, Estados Unidos e França para a instalação de boias fixas de monitoramento de dados no Atlântico Norte, no âmbito do Projeto Pirata. A expectativa é que a embarcação atraque em águas brasileiras em 4 de dezembro.



Atlântico Sul e Tropical



Em outubro de 2015, Brasil, Argentina, África do Sul, Angola e Namíbia, juntamente com representantes dos estados membros da UE, começaram o processo de definição de uma agenda para colaboração em pesquisa científica no Atlântico Sul e Tropical. No Workshop Sul-Sul, realizado em Brasília (DF), Brasil e África do Sul assinaram uma declaração com o objetivo de aperfeiçoar os mecanismos de cooperação em pesquisa oceânica.



Está prevista a criação de um grupo de trabalho para formular uma agenda que estimule projetos concretos a partir de instrumentos nacionais e internacionais existentes. "A coordenação em pesquisa marinha com a União Europeia agrega à cooperação que estamos formando com nossos parceiros da África do Sul", destacou o ministro. 


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