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06/12/2014
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Brasil frustra Diálogo de Integração AP e Mercosul

Marcelo Rech, especial de Santiago, Chile

A participação do Brasil no Diálogo de Integração Aliança do Pacífico – Mercosul, realizado no dia 24 de novembro na capital chilena, frustrou todos aqueles que esperavam por uma posição contundente e de liderança do país. A participação do ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo foi considerada frustrante tanto pelos organizadores como pelos participantes.

O ministro falou por cerca de 10 minutos e não deixou claro se o Brasil apoia o diálogo ou não. Muito menos reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo Mercosul. “Estamos em uma fase exploratória, mas não é correto dizer que estamos de costas um para o outro”, afirmou em resposta à presidente chilena Michele Bachelet, que abriu o evento.

Figueiredo disse que o processo de integração não pode avançar sem que a AP e o Mercosul sejam considerados, mas esclareceu que são esquemas diferentes. “A AP não é uma união aduaneira nem quer ser”, destacou.

Para diplomatas dos países que integram a Aliança do Pacífico, o Brasil ainda enxerga o bloco como um concorrente e este diálogo não deve avançar se Brasília não mudar a forma como lida com a questão.

“O Brasil é um país que ainda influi na decisão de muitos dos seus vizinhos. Se não assumir uma posição de liderança, vamos ficar conversando por anos sem que nada de concreto seja construído”, disse um diplomata peruano que pediu o anonimato.

Por outro lado, o chanceler mexicano José Antonio Meade, anunciou que o seu país está promovendo mudanças justamente para facilitar a sua integração junto aos parceiros sul-americanos e gerar mais intercâmbios.

Neste sentido, explicou, “a classe empresarial foi convocada para identificar problemas, necessidades e desafios e estamos ouvindo ainda os 32 países que atuam como observadores na Aliança”.

Além da frustração com Figueiredo, a organização do evento não entendeu as posições defendidas pelo representante do PT no encontro, o economista Alexandre de Freitas Barbosa que parecia estar num encontro do Foro de São Paulo escalado para detonar a criação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), proposta pelos Estados Unidos nos anos 90.

Ele também criticou Chile e Peru que esperavam por investimentos chineses que, segundo disse, não vieram. No mesmo instante, elogiou as relações que o Brasil constrói com a China. Para ele, “não se pode ir da divisão-competição à integração. A convergência deve ser tentada, não é fácil e nem está claro como fazer”, concluiu.

Já o vice-presidente da CNI, Paulo Gilberto Fernandes Tigre, foi duro ao dizer que “o setor privado não pode ficar apagando incêndios o tempo todo. Precisamos de uma política de Estado. No passado se falava na chegada com força da China e nada foi feito. Agora, a China está aí e não sabemos o que fazer”, explicou.

Para o representante da CNI, “os governos precisam se entender. É a política que vai determinar se isso avança ou não. O setor privado está fazendo a sua parte, mas sem vontade política vamos tratar das mesmas coisas em dois, três anos, sem avanço algum”.

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