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Brasil inicia construção de submarinos com a França

No último sábado, a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, participaram da cerimônia que marcou o início da construção dos submarinos convencionais (S-BR) da classe Scorpène, de tecnologia francesa, no Brasil.

 

De acordo com a Marinha, a iniciativa é parte do Acordo Estratégico Brasil-França que originou o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) da Marinha do Brasil.

 

Para os militares, o evento tem enorme importância simbólica para o país. O PROSUB foi ameaçado várias vezes por cortes no orçamento.

 

A fabricação dos S-BR representa o primeiro passo para a construção do submarino com propulsão nuclear brasileiro (SN-BR) – marco maior do programa, firmado entre o Brasil e a França, no final de 2008.

 

Considerado um dos mais complexos meios navais já idealizados pelo homem, o submarino com propulsão nuclear tem vantagens táticas e estratégicas significativas.

 

Para a Marinha, as recentes descobertas de petróleo na camada pré-sal e as riquezas da chamada “Amazônia Azul”, exigem que o país eleve sua capacidade de vigiar e proteger a costa.

 

Com enorme autonomia, o submarino nuclear pode desenvolver velocidades elevadas por longos períodos de navegação, aumentando sua mobilidade e permitindo a patrulha de áreas mais amplas no oceano.

 

O modelo é considerado também extremamente seguro e de difícil detecção. Parte dos equipamentos desenvolvidos para os quatro submarinos convencionais, de propulsão diesel-elétrica, poderá ser aproveitada no submarino de propulsão nuclear brasileiro, que será fabricado com os mesmos métodos, técnicas e processos de construção desenvolvidos junto aos franceses.

 

Esse processo de capacitação da indústria de defesa nacional, que envolve transferência de tecnologia e expressiva nacionalização dos equipamentos, permitirá que a qualificação obtida pelos profissionais brasileiros, sobretudo na fabricação do SN-BR, possa ser utilizada em vários outros segmentos da indústria nacional.

 

O governo assegura que mais de 37 mil componentes serão fornecidos por 30 empresas brasileiras e que o projeto poderá gerar mais de 40 mil empregos diretos e indiretos.

 

O submarino movido a energia nuclear é desenvolvido com tecnologia altamente sensível, dominada por um pequeno grupo de países como China, Estados Unidos, França, Inglaterra e Rússia.

 

Transferência de tecnologia

 

O acordo com a França prevê a transferência completa da tecnologia dos submarinos ao Brasil, fator que é considerado de alto valor estratégico por militares e especialistas civis.

 

Empresas brasileiras fornecerão, por exemplo, quadros elétricos, válvulas de casco, bombas hidráulicas, motores elétricos, sistema de combate, sistemas de controle, motor a diesel e baterias especiais de grande porte, além de serviços de usinagem e mecânica.

 

Em nota, a Marinha informa que “o estímulo, pelo PROSUB, à indústria de fornecedores nacionais, aliado ao grande processo de capacitação empreendido, é considerado o maior trunfo do programa. Entende-se que, uma vez capacitado e com parque industrial ativo, o Brasil não irá depender de outro país para fazer submarinos convencionais e de propulsão nuclear”.

 

A viabilização do programa exigiu a criação de uma empresa, a Itaguaí Construções Navais (ICN), parceria entre a francesa DCNS e a construtora brasileira Norberto Odebrecht. A Marinha do Brasil detém o golden share (direito de veto) sobre questões referentes à atuação da empresa.

 

Caberá à ICN a construção de cinco submarinos.

 

Além da fabricação dos submarinos, o PROSUB contempla a construção de um estaleiro e de uma sofisticada base naval para abrigar as embarcações. As obras incluem também a instalação de uma Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM).

 

Cronograma

 

Pelo cronograma de entregas, o prazo para o fim das obras civis é 2015. A inauguração da UFEM será feita em novembro de 2012. A conclusão do estaleiro é esperada para 2014.

 

A previsão é de que o primeiro dos quatro submarinos convencionais esteja pronto em 2016 e seja entregue à Marinha em 2017. Os demais submarinos convencionais serão entregues a cada ano e meio de defasagem e o primeiro submarino com propulsão nuclear em 2023.

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