Brasília, 19 de janeiro de 2020 - 17h00
Brasil investiu US$ 100 milhões na nova Estação Antártica Comandante Ferraz

Brasil investiu US$ 100 milhões na nova Estação Antártica Comandante Ferraz

13 de janeiro de 2020 - 15:30:50
por: Marcelo Rech
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Brasília - O Brasil inaugura nesta terça-feira, 14, as novas instalações da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF). O ato solene terá a presença do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, e do vice-presidente da República, Hamilton Mourão. Às 17h, será realizada uma videoconferência com o presidente Jair Bolsonaro.

A Estação Comandante Ferraz foi destruída em 2012 por um incêndio. Na casião, dois militares morreram e 70% das suas instalações foram perdidas. O governo federal investiu cerca de US$ 100 milhões na obra, e a unidade recebeu os equipamentos mais avançados do mundo. Ocupando uma área de 4,5 mil metros quadrados, a estação poderá hospedar 64 pessoas, segundo a Marinha. O novo centro de pesquisas vai contar com 17 laboratórios.

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações é o responsável por coordenar as políticas públicas voltadas para a pesquisa no continente. Nos últimos anos, o MCTIC investiu R$ 18 milhões na pesquisa antártica. Em 2019, o ministério destinou R$ 2 milhões para equipar a nova estação com oito laboratórios, de biociências, bioensaios I e II, triagem, uso comum, microbiologia, biologia molecular e química.

Com o compromisso de fomentar a pesquisa, foi lançada a Chamada CNPq/MCTIC/CAPES/FNDCT nº 21/2018 – Programa Antártico Brasileiro – PROANTAR. De acordo com o governo federal, esta é a maior chamada de pesquisa, em volume de recursos investidos, de todo o PROANTAR.

O valor global destinado à chamada foi de R$ 18 milhões, sendo R$ 12 milhões do MCTIC. Dos recursos provenientes do MCTIC, R$ 9 milhões já foram quitados e em agosto de 2020 está previsto o pagamento da terceira e última parcela de recursos advindos do FNDCT/MCTIC no valor de R$ 3 milhões.

Além disso, em anos anteriores, o MCTIC destinou R$ 4 milhões para apoiar campanhas de pesquisa à Antártica a bordo do Navio Polar Almirante Maximiano e do Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel, de maneira a manter a operação e manutenção dos navios antárticos e dos equipamentos científicos a bordo a fim de coletar dados de importância estratégica para o avanço e consolidação das atividades do PROANTAR, atendendo as necessidades dos pesquisadores antárticos.

O navio polar Almirante Maximiano foi comprado com R$ 69 milhões em recursos do MCTIC em 2008 e, posteriormente, incorporado à Marinha em 2009.

Pesquisa na Antártica

Na última Chamada PROANTAR foram aprovados 19 projetos de pesquisa que contemplam as orientações do Comitê Científico de Pesquisa Antártica (SCAR – Scientific Committee on Antarctic Research), e do documento Ciência Antártica para o Brasil – Plano de Ação 2013 a 2022.

Os projetos apoiados estão relacionadas a mudança do clima, ventilação oceânica e ciclo do carbono, absorção do gás carbônico atmosférico, efeitos das mudanças climáticas nos ecossistemas marinhos antárticos, pesquisa de microrganismos oriundos do ambiente marinho com potencial biotecnológico, bioprospecção de substâncias para uso na medicina, indústria e agricultura, registro de fósseis, aspectos biológicos, neurobiológicos e sociais relacionados às pessoas que participam das expedições na antártica em regime de confinamento, entre outros.

No campo da biotecnologia, entre os potenciais impactos das pesquisas, por exemplo, destacam-se benefícios para as áreas da medicina, com a formulação de medicamentos, da agricultura, no desenvolvimento de novos pesticidas e herbicidas, e da indústria, na fabricação de produtos como anticongelantes e protetores solares.

Finalmente, a linha temática de geodinâmica e história geológica da Antártica e suas relações com a América do Sul visa compreender os mecanismos que levaram à configuração geográfica atual da Antártica e as consequências ambientais das mudanças ocorridas no continente.

Nesse contexto, a existência de campos de petróleo na região, ainda que protegidos pelo Protocolo de Madri, reforça o caráter econômico e geopolítico das pesquisas antárticas.

PROANTAR

O Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), que em 2020 completa 38 anos de atuação, é um programa de Estado cujos objetivos estão relacionados, por exemplo, à produção de conhecimento científico sobre a Antártica e suas relações com o restante do sistema climático global, envolvendo a criosfera, os oceanos, a atmosfera e a biosfera.

O programa, instalado oficialmente no final dos anos 1970, conta com a participação de membros da comunidade científica desde o verão de 1982/83. Em 2020, o Tratado da Antártica comemora 61 anos de assinatura. O Brasil é membro pleno do Tratado da Antártida desde 1975.

O PROANTAR tem como propósito a realização de substancial pesquisa científica na região antártica, assegurando continuidade, expansão e diversidade das pesquisas, com a finalidade de compreender os fenômenos que ali ocorrem e sua influência sobre o território brasileiro, contribuindo assim, para a efetivação da presença brasileira na região.

O incidente que ocasionou a perda da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) em 2012 não interrompeu as atividades da pesquisa brasileira na Antártica. Pelo contrário, o Brasil imprimiu aos meios logísticos disponíveis (navios, acampamentos, refúgios e módulos automatizados) uma crescente demanda de atendimento para a consecução dos objetivos dos projetos de pesquisa.

Assim, a nova EACF teve sua construção iniciada em 2016/2017. Atualmente o Brasil participa com um programa científico diversificado, com repercussão internacional, ora executado por 19 projetos de pesquisa e por um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia.