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Oriente Médio

Brasil monitora crise na Síria

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou nesta segunda-feira, 23, que o governo acompanha de perto o agravamento das tensões na Síria e que há a expectativa de que os observadores estrangeiros permaneçam naquele país até o final de agosto.

Ele confirmou que a embaixada brasileira em Damasco funciona parcialmente desde a última sexta-feira, 20. Por motivos de segurança, os diplomatas foram deslocados para Beirute, no Líbano, e Amã, na Jordânia. Funcionários sírios mantém os serviços básicos.

O Brasil também espera que a comunidade internacional encontre alternativas para evitar que a Síria passe pela mesma situação da Líbia em 2011.

De acordo com Cesário Melantonio Neto, embaixador extraordinário para o Oriente Médio, “o potencial de desestabilidade na Síria é imenso, basta observar os vizinhos”. Recentemente, militares brasileiros que atuaram na Unifil, afirmaram que uma guerra civil na Síria arrastaria o Líbano para o conflito.

A Síria tem fronteiras com o Líbano, Turquia, Jordânia, Israel e Iraque.

Na semana passada, Melantonio Neto esteve em Washington onde participou de reuniões de um grupo de trabalho sobre o Oriente Médio. O tema principal foi justamente a crise síria.

Além disso, a comunidade internacional sabe que todos os países que fazem fronteira com a Síria vivem em estado de alerta seja por razões internas ou externas.

Segundo Cesário Melantonio Neto, “o Brasil e vários países trabalham para tentar buscar uma saída pacífica e de manter os esforços por uma transição [de poder] para, assim, evitar um derramamento de sangue maior do que o que vem ocorrendo”.

Outra preocupação do Brasil e dos demais países diz respeito ao possível uso de armas químicas pelo governo sírio, pois Damasco teria perdido o controle sobre as suas fronteiras com Líbano, Turquia e Jordânia.

“O temor é que o fluxo de armas, por meio das fronteiras, aumente, uma vez que essas regiões foram tomadas por vários grupos. O receio é que a militarização dos conflitos aumente ainda mais principalmente se o poder for tomado por grupos radicais”, explicou o embaixador.

Nesta terça-feira, 24, Amos Gilad, funcionário do ministério da Defesa de Israel, afirmou que Bashar al Assad mantém o controle absoluto sobre o arsenal de armas químicas do país.

Israel está em alerta com o risco de essas armas pararem em mãos de militantes do Hezbolah.

Em entrevista à rádio pública de Israel, Gilad afirmou que “o Exército sírio dispõe de grandes quantidades de armas químicas. O regime sírio luta por sua sobrevivência. Mas o conjunto das armas químicas e de destruição em massa está sob seu controle total”.

Ele acrescentou ainda que “de acordo com nossas informações, o Hezbollah não dispõe de armas químicas provenientes da Síria, e não ocorreram transferências dessas armas para organizações terroristas como a Al-Qaeda”.

Aliada da Síria, a Rússia somou-se aos países que advertiram Damasco sobre o uso de armas químicas e de destruição em massa.

Nesta terça-feira, 24, Moscou emitiu um comunicado em que “parte do princípio de que o regime vai obedecer a suas obrigações internacionais”.

No documento, a chancelaria russa lembra que a Síria ratificou em 1969 um protocolo internacional que impede o uso de gás venenoso como método de guerra.

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