Soberania
10/12/2008
Cúpula Extraordinária da União de Nações Sul-Ameri
17/12/2008

Brasil não aceita perdoar dívida do Paraguai

Brasil não aceita perdoar dívida do Paraguai

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado, que o Brasil não cogita perdoar a dívida do Paraguai com a construção da hidrelétrica de Itaipu.

O governo do Paraguai pretende repassar para o Brasil um passivo de US$ 19 bilhões de um total de US$ 19,6 bilhões, ou seja, 97% da dívida contraída para a execução do empreendimento. O governo paraguaio arcaria com os US$ 600 milhões restantes.

Amorim disse aos senadores que a proposta do Paraguai é irreal e que não há a menor chance de o Brasil aceitar. Nesta sexta-feira, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, tem mais uma reunião com assessores do presidente Fernando Lugo para tratar do tema.

A ordem no Itamaraty é evitar mais tensões com o vizinho. A diplomacia brasileira desconfia que o governo do Paraguai esteja tentando tirar vantagens após as crises do Brasil com Bolívia e Equador.

O governo brasileiro também não descarta congelar o financiamento de projetos de infra-estrutura regional por conta da onda de ataques que o Brasil vem sofrendo.

Nos dias 16 e 17, será realizada na Bahia, a primeira Cúpula América Latina e Caribe e o governo teme que as ameaças feitas pelos vizinhos domine os debates.

Além dessa cúpula, aconteceram duas reuniões da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e do Mercosul.

No Senado, Celso Amorim explicou que o presidente Lula quer ajudar o Paraguai, inclusive com o reforço das ações do Fundo de Convergência Estrutural (Focen). Dos US$ 100 milhões a ele destinados, o Brasil contribui com 70%.

O ministro foi taxativo ao enfatizar que o Tratado de Itaipu não muda. Ele disse ainda que o Brasil não concorda com a afirmação paraguaia de que a dívida é espúria.

Ele também descartou a possibilidade de o Paraguai revender parte do seu excedente de energia para terceiros países.

Por outro lado, o Brasil aceita rever o preço da energia que compra do vizinho e oferece ainda um financiamento de US$ 200 milhões para a construção de uma linha de transmissão de energia até Assunção.

No Congresso, parlamentares governistas temem que as pressões contra o Brasil inviabilizem a integração, enquanto a oposição exige uma postura mais firme do governo.

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