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Brasil não espera acordo ambicioso entre MERCOSUL – UE

Brasília – O governo brasileiro não espera um acordo de livre comércio ambicioso a ser firmado pelo MERCOSUL com a União Europeia. As equipes técnicas dos dois blocos voltam a reunir-se entre 8 e 13 de julho em Bruxelas. De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, as negociações conduzem a um entendimento semelhante àqueles que os europeus firmaram com Canadá, México e Japão.

Segundo ele, “a União Europeia é um bicho estranho. São muitos países. Há uma comissão que negocia conosco e que diz falar em nome de todos, mas termina falando em nome de cada um”. Por outro lado, garantiu que entre os países do MERCOSUL o consenso está fechado.

No dia 18 de junho, o Uruguai assumiu a presidência do MERCOSUL “com o compromisso de não assinar um acordo com a União Europeia a qualquer preço nem perder tempo com negociações eternas”, explicou o presidente do país, Tabaré Vázquez. Ainda de acordo com o líder uruguaio, o MERCOSUL “não está disposto a assinar um acordinho com a UE”.

Na reunião de junho em Assunção, os presidentes da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, reconheceram que há outras alternativas à UE como China, Rússia, Japão, a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e a Aliança do Pacífico integrada por Chile, Colômbia, Peru e México.

Aloysio Nunes Ferreira reconheceu que as negociações entre o MERCOSUL e a UE ganharam impulso com as políticas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos, mas que o bloco não descarta avançar em outros diálogos. Já o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge, entende que os dois blocos devem aproveitar a janela de oportunidades que estará aberta até agosto. Após, tanto os países europeus como o Brasil irão dedicar-se a eleições.

EFTA

Na segunda-feira, 2, teve início em Genebra, a quarta rodada de negociações entre o MERCOSUL e a Associação Europeia de Livre-comércio (EFTA). As conversas seguem até sexta-feira, 6.

Em junho de 2017, os quatro países que formam a EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça) iniciaram a primeira rodada de negociações para alcançar um acordo de livre comércio entre os dois blocos.

MERCOSUL e EFTA têm tratado temas de denominação de origem até barreiras ao comércio, problemas de saúde e fitossanitários, investimentos e propriedade intelectual, entre outros. A EFTA mantém acordos de livre comércio com Costa Rica, Panamá, Guatemala, México, Chile, Colômbia, Equador e Peru.

Aliança do Pacífico

Considerada prioritária para o MERCOSUL, a negociação com a Aliança do Pacífico poderá ganhar fôlego durante a sua 13ª Cúpula que será realizada em Puerto Vallarta, Jalisco, México, nos dias 23 e 24 de julho. O encontro reunirá ministros de Relações Exteriores, Comércio e Economia, e os Chefes de Estado dos dois blocos.

Também haverá discussões que envolverão os países observadores da Aliança do Pacífico e organismos internacionais, além de um encontro empresarial.

No domingo, 24, será realizado o encontro entre os presidentes, seguido por uma reunião do Conselho de Ministros. A Cúpula será encerrada com a assinatura de uma Declaração Final. Paralelamente, serão realizados o 5º Encontro Empresarial, uma reunião interparlamentar e uma reunião específica da Comissão de Livre Comércio.

Paraguai

Após uma rápida passagem por Brasília, o presidente eleito do Paraguai, Mário Abdo Benítez reuniu-se em Montevideo com o líder uruguaio Tabaré Vázquez. O encontro serviu para dar força ao projeto do Uruguai de estimular negociações comerciais entre o MERCOSUL e a China. O Paraguai não mantém relações diplomáticas com Pequim, preferindo o relacionamento com Taiwán.

Nesta terça-feira, Benítez estará em Santiago onde se reunirá com o presidente chileno Sebastián Piñera. Nestas reuniões, o presidente eleito do Paraguai é acompanhado pelo vice-presidente Hugo Velázquez, e o futuro chanceler, Luis Alberto Castiglioni.

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