Relações Exteriores

América do Sul
31/03/2006
Cooperação Trilateral
31/03/2006

América do Sul

Brasil não pretende envolver-se nas disputas entre Bolívia e Chile

O presidente boliviano Evo Morales fez questão de participar da posse da presidenta chilena Michele Bachelet, com o objetivo de reabrir as negociações sobre o acesso boliviano ao Pacífico, perdido para o Chile no século XIX numa guerra em que a Bolivia perdeu a parte do país que ía dos Andes até ao mar, na zona de Arica – Putre.

Em 2004, o então líder cocaleiro não descartou um conflito bélico com o vizinho para reaver o território boliviano perdido na guerra. Ao confirmar a visita que a presidenta Bachelet, fará ao Brasil entre 10 e 11 de abril, Celso Amorim deixou claro que o Brasil não pretende interferir no conflito, muito menos defender a pretensão boliviana. ”Podemos ajudar facilitando o diálogo, caso necessário”, afirmou.

Michele Bachelet e Celso Amorim discutiram a participação dos dois países na Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti [Minustah], além do incremento da integração bilateral.

O Brasil está preocupado com a possibilidade do Chile retirar suas tropas do Haiti. Por outro lado, o Chile já anunciou que não aceitará a mediação da Organização dos Estados Americanos [OEA], quanto ao conflito com a Bolívia. Para os chilenos, este é um problema que deve ser resolvido pelos dois países apenas.

O chanceler do chileno, Alejandro Foxley, rechaçou uma possível intervenção da OEA na controvérsia boliviana de acesso ao mar através do território chileno.

O presidente Evo Morales anunciou que pedirá uma reunião especial da instituição para analisar a exigência boliviana de uma saída marítima.
Desde 1979 que a OEA não se pronuncia sobre a demanda marítima da Bolívia. A chancelaria chilena garante que o tema constitui ”uma alta prioridade” de sua política exterior.

O Chile também já manifestou o interesse em “restabelecer relações diplomáticas com a Bolívia sem condições, nem orientações prévias”. As relações diplomáticas foram rompidas pela Bolívia em 1978.

Haiti

Celso Amorim, confirmou que um diplomata do Uruguai ou da Argentina deverá substituir o embaixador chileno Juan Gabriel Valdés como representante do Secretário-Geral das Nações Unidas no Haiti.

Segundo ele, ”tem de ser uma pessoa com a capacidade e a visão política para lidar com uma situação difícil”. Ele espera que o Chile mantenha suas tropas no Haiti até que todo o processo de institucionalização do país esteja completado.

O presidente eleito do Haiti, Rene Préval, que exigia a retirada das tropas após a posse em maio, espera que as tropas de paz permaneçam por mais tempo e sejam trocadas por mais cooperação.

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