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Brasil não vai revisar sua política externa para o Oriente Médio

Brasília – O Brasil não irá rever a sua política externa para o Oriente Médio. É o que o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, assegurou em audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados, na quarta-feira, 13. De acordo com o chanceler, também não há qualquer discussão em torno de uma possível transferência da Embaixada do Brasil em Israel, de Tel Aviv para Jerusalém.

O tema tem sido parte de uma ofensiva de Israel que conta com o apoio da bancada evangélica no Congresso Nacional. No entanto, o ministro garantiu que em sua mais recente visita àquele país, realizada em entre os dias 27 de fevereiro a 6 de março, quando também esteve na Palestina, Jordânia e Líbano, as autoridades israelenses não ousaram tratar do assunto. “Já conhecem a posição do Brasil”, afirmou.

Segundo ele, “a questão de Jerusalém é central para a resolução do conflito entre israelenses e palestinos, para o qual a única solução justa e duradoura é a solução de dois estados convivendo em paz e segurança, em fronteiras internacionalmente reconhecidas e mutuamente acordadas”.

Coincidência ou não, na mesma quarta, 13, os embaixadores da Arábia Saudita, Hisam Alqahtani; da Palestina, Ibrahim Alzeben; do Marrocos, Nabil Adghoghi; e da Tunísia, Hedi Soltan, membros do Conselho dos Embaixadores Árabes no Brasil, reuniram-se com o presidente da CREDN, deputado Nilson Pinto (PSDB-PA). Na oportunidade, destacaram a posição de independência do Brasil em relação ao conflito no Oriente Médio, especialmente na questão que envolve Israel e Palestina.

Em documento entregue ao parlamentar, os embaixadores árabes afirmam que, “nossos países nutrem a ambição de ver a postura imparcial do Brasil em relação à política internacional, sempre focada na abordagem pacífica, na divulgação de valores da paz e da convivência”.

“Os árabes podem ficar tranquilos. A posição brasileira em defesa de uma solução que contemple dois estados com fronteiras seguras, não mudará. Além disso, não há qualquer possibilidade de transferirmos a nossa embaixada de Tel Aviv para Jerusalém”, explicou Nilson Pinto.

Segundo Ibrahim Alzeben, “é lamentável constatar que alguns meios tentam influenciar o Brasil para mudar sua posição conceituada e devidamente elaborada desde o início deste conflito em 1948. Ora para desconsiderar o estatuto jurídico da cidade triplamente sagrada de Jerusalém, ora para questionar a própria existência da Embaixada do Estado da Palestina em Brasília”.

O Embaixador da Palestina também esclareceu diversos aspectos relacionados com a construção da representação palestina no Brasil. Em 2010, o governo brasileiro reconheceu o Estado da Palestina, elevando o patamar oficial da sua missão diplomática. Em 2016, foi inaugurada a Embaixada que, segundo Alzeben, “não contou com quaisquer recursos públicos brasileiros”.

“As relações diplomáticas entre o Brasil e a Palestina são regidas com total transparência, de acordo com a Convenção de Viena de 1961”, afirmou. Ele apresentou ainda o registro da entrega do título de propriedade do terreno na Palestina, doado para a representação diplomática brasileira. O documento foi entregue ao Embaixador Paulo França pelo presidente Mahmoud Abbas.

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