Brasília, 23 de fevereiro de 2020 - 01h59
Brasil – EUA: uma agenda que começa a ganhar corpo

Brasil – EUA: uma agenda que começa a ganhar corpo

03 de fevereiro de 2020 - 10:58:30
Compartilhar notícia:

Marcelo Rech

No primeiro ano do governo Bolsonaro, o presidente deixou clara a sua opção por uma parceria contudente com os Estados Unidos de Donald Trump. Chegou a indicar o filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, para o cargo de Embaixador do Brasil em Washington. Diante do desgaste interno, recuou, mas o objetivo principal, manteve-se. No entanto, 2019 não foi um ano de colheita. O Brasil viu os Estados Unidos respaldarem a Argentina para a OCDE e teve de lidar com o embargo à carne bovina e às ameaças de imposição de tarifas para o alumínio e o aço.

Nesta semana, o ano político começa com o retorno do Congresso às suas atividades. Nas relações do Brasil com os Estados Unidos, 2020 também tem sido mais promissor. Já tivemos por aqui, a Secretária Adjunta do Departamento de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Carrie Filipetti, o administrador adjunto para América Latina e Caribe da USAID, John Barsa, o  e o administrador da Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos, Andrew Wheeler.

Entre 1º e 3 de fevereiro, será a vez do  Secretário de Energia dos Estados Unidos, Dan Brouillette, participar, junto com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, do Fórum de Energia Brasil - Estados Unidos, que será realizado no Rio de Janeiro. Trata-se de um mecanismo bilateral criado para fortalecer a cooperação energética entre os dois países no que tange a assuntos técnicos, regulatórios e políticos de interesse mútuo, bem como discutir os desafios críticos para o comércio e investimentos bilaterais em energia.

Este ano, teremos ainda a quarta edição do Diálogo da Indústria de Defesa Brasil – Estados Unidos, o primeiro após Washington designar o Brasil como aliado militar preferencial do país fora da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Além disso, o encontro será realizado com o o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, também firmado em março de 2019, já em vigor.

Para este ano, constam da agenda bilateral, temas como: acordo de livre comércio, cooperação regulatória, acordo para evitar a bitributação, boas práticas regulatórias, acordo de investimentos, propriedade intelectual, global entry, Brasil na OCDE, acordo de facilitação de comércio, e o estabelecimento de mecanismo bilaterais de seguimento em áreas estratégicas, tais como comércio e investimentos, defesa e segurança, energia, agricultura e infraestrutura.

Do ponto de vista político, os Estados Unidos continuarão pressionando o Brasil para que adote medidas mais duras contra o regime venezuelano. Em contrapartida, Washington anunciou em 28 de janeiro, a liberação de US$ 4 milhões para o programa de integração econômica dos venezuelanos em situação vulnerável no Brasil.

Washington quer reforçar ainda a cooperação em matéria de inteligência de olho na presença da milícia libanesa Hezbollah, na Venezuela, e na região da Tríplice Fronteira Argentina, Brasil, Paraguai. O combate ao crime organizado transnacional é outra prioridade norte-americana para a região, com especial atenção para o Brasil e as redes de narcotráfico que envolvem a dissidência das FARC, o ELN, remanescentes do peruano Sendero Luminoso, e o Exército do Povo Paraguaio (EPP).

Marcelo Rech é jornalista e editor do InfoRel. E-mail: inforel@inforel.org.