Brasília, 15 de novembro de 2018 - 05h24

Comércio Exterior

21 de abril de 2005
por: InfoRel
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O governo brasileiro ainda não decidiu em quem votar para o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio. Depois de tentar derrubar a candidatura do uruguaio Carlos Perez Del Castillo, o Brasil fica numa situação complicada, pois lhe restam apenas duas opções e as duas são muito ruins.

Ou vota em Pascal Lamy, o francês que foi comissário de Comércio da União Européia, é apoiado pelos Estados Unidos e visto como um partidário dos subsà­dios agrà­colas defendidos na Europa, ou, num gesto pró-ativo pela integração polà­tica da América do Sul, vai de Perez Del Castillo.

Não é uma decisão fácil, principalmente depois que o ministro Celso Amorim detonou o uruguaio e admitiu ter errado na avaliação para lançar o embaixador Luiz Felipe Seixas Corrêa. Por essa razão, a abstenção começa a ganhar corpo no Itamaraty.

A escolha deve acontecer na primeira quinzena de maio, quando o Brasil também terá outro importante desafio: ajudar a eleger o chileno José Miguel Insulza para o cargo de Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos.

O que não pode ser ignorado é a divisão dos paà­ses da região em relação aos dois temas. A Argentina, principal parceira do Brasil no processo de integração, por exemplo, descartou Seixas Corrêa, considerando sua candidatura tardia. Também vem de Buenos Aires, as crà­ticas mais ácidas em relação ao Conselho de Segurança da ONU.

Tudo isso junto pode resultar numa combinação negativa capaz de frear os esforços pela integração sul-americana, um projeto nascido no Brasil e que tem reforçado o papel protagonista do paà­s em termos de polà­tica externa regional.

E, não podemos esquecer que também em maio, teremos a Cúpula América do Sul – Paà­ses àrabes. Trata-se de um evento inédito, onde duas regiões que nunca se perceberam, podem mudar radicalmente a geografia do comércio exterior mundial.

Resta saber quantos e quais serão aqueles que tentarão sabotar o projeto. Ainda que os primeiros resultados não sejam aqueles sonhados pelos imediatistas, só o fato de fazer acontecer o encontro já deveria merecer o devido e respeitoso destaque.

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