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Brasil pode aumentar número de militares no Haiti

Brasil pode aumentar número de militares no Haiti

O Comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, informou na tarde desta segunda-feira que o Brasil tem condições de dobrar o número de militares na missão de estabilização do Haiti sob mandato da ONU.

Atualmente, o país mantém 1.266 militares no país. No total, o Brasil já enviou ao Haiti onze mil militares e está próximo de concluir o 12º rodízio nesta semana.

A cada seis meses, o contingente brasileiro é renovado. Os militares passam por um treinamento de seis meses antes de desembarcar em Porto Príncipe.

Enzo Peri explicou que o aumento do efetivo depende ainda de um pedido formal das Nações Unidas.

“A decisão é política, mas as Forças Armadas têm condições de duplicar o número de militares no Haiti”, afirmou.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmou que o governo estuda aumentar a presença militar no Haiti.

A Organização das Nações Unidas quer aumentar em 3.500 o contingente da Minustah.

O general Enzo Peri também disse que o Exército não deve modificar a estratégia de preparação dos militares que seguem para a missão e que o Brasil permanecerá no Haiti pelo tempo que for necessário.

Para o ministro da Defesa, Nelson Jobim, o país deve ficar pelo menos mais cinco anos na Minustah.

De acordo com o Comandante do Exército, os corpos dos 16 militares mortos devem chegar à Brasília na quarta-feira. Dois militares continuam desaparecidos.

Os militares mortos serão homenageados com honras fúnebres na Base Aérea da capital.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

O governo brasileiro deve decidir em breve por aumentar o seu efetivo no Haiti onde comanda as tropas da ONU na missão de estabilização do país.

Esta é uma questão decidida. Não há como manter o comando se não houver o aumento no número de militares.

A ONU quer pelo menos mais 3.500 capacetes azuis, mas a decisão caberá ao Conselho de Segurança.

Para que o Brasil aumente o seu efetivo, o governo terá de enviar uma mensagem ao Congresso Nacional que é quem tem a prerrogativa para autorizá-lo ou não.

Caberá ao ministro Nelson Jobim discutir o assunto com o meio político.

Passada a comoção, deputados e senadores certamente medirão a conveniência da medida de olho na renovação de seus próprios mandatos.

Além disso, outro tema que seguramente vira à tona superada essa fase emergencial é o papel dos soldados no Haiti.

Com o terremoto, líderes de gangues que não morreram estão soltos e começam a reorganizar seus bandos.

Muitos desses bandidos esconderam armas em quantidade antes de serem presos. Há possibilidades de enfrentamentos sérios com as tropas de paz.

Os distúrbios resultam, entre outras coisas, da total ausência de organização e comando no Haiti.

No entanto, é preciso entender que ao longo de cinco anos, o Brasil conquistou a confiança da população haitiana.

Restabelecer a ordem agora é diferente.

E esse é o papel dos militares para que as agências civis atuem de fato na transformação social do Haiti.

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