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Segurança Regional

28 de abril de 2008
por: InfoRel
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O ministro da Defesa, Nelson Jobim, viajou neste domingo para a Colômbia e Equador. Nesta segunda-feira, ele tem encontros com o chanceler colombiano Fernando Araújo Perdomo, o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos Calderón e o presidente àlvaro Uribe.

Na terça, 29, Jobim estará em Quito onde tem reuniões com os ministros da Defesa do Equador, Javier Ponce Cevallos, e de Segurança Interna e Externa, Gustavo Larrea. Ele encerra a visita numa reunião com o presidente equatoriano Rafael Correa. Nos dois paà­ses, vai formalizar a criação do Conselho Sul-Americano de Defesa.

Nos dias 21 e 22, Jobim esteve na Guiana e Suriname, onde apresentou a proposta brasileira.

Mais uma vez, o ministro negou que o futuro mecanismo atuaria como uma aliança militar convencional, nos moldes da OTAN, por exemplo.

Segundo ele, "nenhum paà­s da América do Sul pode falar em nome da América do Sul. Somente a integração de todos os paà­ses poderia produzir essa voz mais forte da região".

Para o ministro, o Conselho poderá atuar como porta-voz da região junto à  comunidade internacional. "Não se trata de uma aliança militar, é uma tentativa de integração do pensamento de Defesa, para discutir as realidades e necessidades de Defesa que os paà­ses tenham em comum", afirmou. Ele se reuniu com os presidentes da Guiana, Bharrat Jagdeo, e do Suriname, Ronald Venetiaan.

Nelson Jobim já esteve com a ministra da Defesa da Argentina e com o presidente venezuelano Hugo Chávez, que recebeu a proposta com simpatia. O objetivo do Brasil é aprofundar esse debate na reunião da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), que será realizada em Brasà­lia, no dia 23 de maio.

O ministro esclareceu à s autoridades da Guiana e Suriname, que o Conselho deverá ter como princà­pio a não intervenção e o respeito à  soberania de cada paà­s, à  autodeterminação dos povos e à  integridade territorial, fundamentos da Constituição brasileira.

Além disso, reforçou que o mecanismo deverá envolver as três vertentes da região: amazônica, andina e platina. Para Jobim, a participação de paà­ses como Guiana e Suriname, agregaria a experiência caribenha desses paà­ses.

Objetivos

De acordo com o ministério da Defesa, a proposta brasileira pretende gerar maior confiança no campo militar e estratégico sul-americano, o que poderá ser alcançado com a intensificação do intercâmbio de ensino militar; a participação comum em missões de manutenção de paz; a ajuda a regiões afetadas por desastres naturais; a realização de exercà­cios militares conjuntos; e a integração das bases industriais de Defesa da região.

Para o ministro da Defesa, a região precisa aumentar sua autonomia quanto aos suprimentos necessários para as suas Forças Armadas, o que requer maior capacitação tecnológica.

Além disso, o Conselho Sul-Americano de Defesa vai promover o debate acerca de temas comuns, na busca por posições consensuais da América do Sul nos foros multilaterais, como a Junta Interamericana de Defesa (JID), vinculada à  Organização dos Estados Americanos (OEA).

O subsecretário do Conselho da Segurança da Federação da Rússia, Vladimir Nazarov, que esteve em Brasà­lia, no dia 15, também discutiu a criação do Conselho Sul-Americano de Defesa, com o ministro Nelson Jobim.

Jobim repetiu que o futuro mecanismo não funcionará como uma aliança militar clássica, nos moldes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Segundo o Ministério da Defesa, a Rússia apóia a proposta brasileira por entender que o Conselho vai aumentar a confiança e a transparência entre os paà­ses da América do Sul.