Defesa

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Segurança Regional

Brasil quer Conselho de Defesa como porta-voz da América do Sul

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, viajou neste domingo para a Colômbia e Equador. Nesta segunda-feira, ele tem encontros com o chanceler colombiano Fernando Araújo Perdomo, o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos Calderón e o presidente Álvaro Uribe.

Na terça, 29, Jobim estará em Quito onde tem reuniões com os ministros da Defesa do Equador, Javier Ponce Cevallos, e de Segurança Interna e Externa, Gustavo Larrea. Ele encerra a visita numa reunião com o presidente equatoriano Rafael Correa. Nos dois países, vai formalizar a criação do Conselho Sul-Americano de Defesa.

Nos dias 21 e 22, Jobim esteve na Guiana e Suriname, onde apresentou a proposta brasileira.

Mais uma vez, o ministro negou que o futuro mecanismo atuaria como uma aliança militar convencional, nos moldes da OTAN, por exemplo.

Segundo ele, “nenhum país da América do Sul pode falar em nome da América do Sul. Somente a integração de todos os países poderia produzir essa voz mais forte da região”.

Para o ministro, o Conselho poderá atuar como porta-voz da região junto à comunidade internacional. “Não se trata de uma aliança militar, é uma tentativa de integração do pensamento de Defesa, para discutir as realidades e necessidades de Defesa que os países tenham em comum”, afirmou. Ele se reuniu com os presidentes da Guiana, Bharrat Jagdeo, e do Suriname, Ronald Venetiaan.

Nelson Jobim já esteve com a ministra da Defesa da Argentina e com o presidente venezuelano Hugo Chávez, que recebeu a proposta com simpatia. O objetivo do Brasil é aprofundar esse debate na reunião da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), que será realizada em Brasília, no dia 23 de maio.

O ministro esclareceu às autoridades da Guiana e Suriname, que o Conselho deverá ter como princípio a não intervenção e o respeito à soberania de cada país, à autodeterminação dos povos e à integridade territorial, fundamentos da Constituição brasileira.

Além disso, reforçou que o mecanismo deverá envolver as três vertentes da região: amazônica, andina e platina. Para Jobim, a participação de países como Guiana e Suriname, agregaria a experiência caribenha desses países.

Objetivos

De acordo com o ministério da Defesa, a proposta brasileira pretende gerar maior confiança no campo militar e estratégico sul-americano, o que poderá ser alcançado com a intensificação do intercâmbio de ensino militar; a participação comum em missões de manutenção de paz; a ajuda a regiões afetadas por desastres naturais; a realização de exercícios militares conjuntos; e a integração das bases industriais de Defesa da região.

Para o ministro da Defesa, a região precisa aumentar sua autonomia quanto aos suprimentos necessários para as suas Forças Armadas, o que requer maior capacitação tecnológica.

Além disso, o Conselho Sul-Americano de Defesa vai promover o debate acerca de temas comuns, na busca por posições consensuais da América do Sul nos foros multilaterais, como a Junta Interamericana de Defesa (JID), vinculada à Organização dos Estados Americanos (OEA).

O subsecretário do Conselho da Segurança da Federação da Rússia, Vladimir Nazarov, que esteve em Brasília, no dia 15, também discutiu a criação do Conselho Sul-Americano de Defesa, com o ministro Nelson Jobim.

Jobim repetiu que o futuro mecanismo não funcionará como uma aliança militar clássica, nos moldes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Segundo o Ministério da Defesa, a Rússia apóia a proposta brasileira por entender que o Conselho vai aumentar a confiança e a transparência entre os países da América do Sul.

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