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Seminário
02/11/2005
Biocombustíveis
02/11/2005

Cooperação

Brasil quer facilitar aquisição de máquinas agrícolas pela Jamaica

Luiz Inácio Lula da Silva

Excelentíssimo senhor Percival Patterson, primeiro-ministro da Jamaica,

Senhores ministros de Estado da Jamaica e do Brasil,

Demais integrantes das delegações da Jamaica e do Brasil,

Meus amigos e minhas amigas,

É com grande satisfação que dou as boas-vindas ao primeiro-ministro Patterson.

A primeira viagem ao Brasil de um Chefe de Governo da Jamaica, acompanhado de importante comitiva ministerial, vem coroar uma aproximação há muito esperada entre nossos países.

As respectivas visitas, este ano, dos ministros Amorim e Roger Clarke sinalizaram a determinação de dar sentido prático ao alto grau de afinidade entre nossos governos e nossos povos.

Compartilhamos os valores da democracia e da liberdade. Estamos engajados em projetos de desenvolvimento com inclusão social, defendemos um sistema internacional mais solidário, fundado na legitimidade e na justiça.

Nossas afinidades abrem oportunidades de cooperação e parceria de grande potencial. No campo dos combustíveis renováveis e da agricultura tropical, já estamos levando adiante projetos concretos.

Os biocombustíveis oferecem uma resposta estratégica para o desafio dos preços crescentes do petróleo, da poluição ambiental e do aquecimento global.

A Jamaica, país com forte tradição açucareira, reúne todas as condições para apostar na indústria do etanol e, assim, diversificar sua matriz energética.

Representantes jamaicanos visitarão proximamente usinas e instituições da cadeia produtiva e de distribuição de etanol. Terão, também, oportunidade para obter informações sobre regulamentação e financiamento da produção e exportação do produto.

Também estamos aprofundando nosso intercâmbio na pesquisa e no cultivo de frutas tropicais, em que somos ambos competitivos. Os contatos técnicos, que contam com a parceria da Embrapa, resultaram num acordo que acaba de ser assinado.

Estamos estudando esquemas para facilitar que a Jamaica adquira máquinas e equipamentos que tornarão ainda mais competitiva sua produção agrícola.

Queremos também ampliar a cooperação na área da saúde. Vamos aproveitar a experiência brasileira na prevenção e tratamento da Aids e a reconhecida competência jamaicana no manejo da anemia falciforme.

Há igualmente muito a fazer para dinamizar nossos vínculos econômicos e comerciais. O estabelecimento de uma conexão aérea direta e regular concretizará o grande potencial do turismo e dos negócios entre os dois países.

Meu caro primeiro-ministro Patterson,

No mês de fevereiro passado, no Suriname, tive a honra de ser o primeiro Presidente brasileiro a participar, como convidado, de uma reunião de cúpula da Comunidade do Caribe. Afirmei, naquela ocasião, a decisão do governo brasileiro de estabelecer uma sólida parceria com os países dessa região.

Não me canso de repetir que, unindo forças e compartilhando objetivos, conquistaremos o respeito político e o interesse econômico de nossos parceiros.

A presença da Guiana e do Suriname na Comunidade Sul-Americana de Nações lançou uma ponte de diálogo e colaboração entre nossas duas regiões. Jamaica e Brasil têm uma responsabilidade compartilhada em fazer avançar a associação entre nossos blocos regionais. Por isso, estamos na dianteira dos esforços para concluir um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Caricom.

A determinação brasileira de renovar suas relações com o Caribe traduziu-se na pronta resposta à convocatória das Nações Unidas para comandarmos a missão de estabilização no Haiti.

É nosso desejo que o Haiti seja exemplo de um novo paradigma da cooperação internacional para a solução de conflitos. Estamos convencidos de que a verdadeira estabilização do país requer um governo democrático e um ambiente de respeito aos direitos fundamentais do povo haitiano.

É por isso que o Brasil apóia todos os esforços de normalização das relações entre a Caricom e o Haiti. Estou convencido de que será por meio da inserção – e não do isolamento – que contribuiremos para a reconciliação e reconstrução do Haiti.

Senhor Primeiro-Ministro,

As relações entre Jamaica e Brasil têm uma vocação universal. Estamos empenhados na conformação de uma ordem mundial mais representativa, onde os países em desenvolvimento conquistem um espaço maior e mais coeso.

Defendemos um multilateralismo mais robusto e solidário, capaz de responder às exigências de um mundo complexo, marcado por novos desafios à segurança coletiva e pela globalização desigual.

Uma atuação destacada no seio do G-77 atesta as credenciais internacionalistas da Jamaica. Sei que poderemos contar com o empenho e a experiência jamaicana na atualização do sistema das Nações Unidas.

Meu caro primeiro-ministro Patterson,
Brasileiros e jamaicanos temos muito em comum: a alegria de viver, a paixão pelo futebol, o gosto inato pela dança e pela música. A Jamaica, assim como o Brasil, exportou ritmos e símbolos que se tornaram universais. O reggae foi a expressão maior de uma cultura que soube aliar a alegria da música e da dança a uma mensagem poderosa de transformação social.

No Brasil, o ritmo jamaicano encontrou solo fértil e conquistou nossos corações. Em Salvador da Bahia e em São Luis do Maranhão – a capital do reggae – tornou-se fenômeno de multidões.

É com esse espírito de alegria, proximidade e solidariedade que quero transmitir às autoridades e empresários jamaicanos e brasileiros minhas esperanças de que se engajem efetivamente para tornar as relações entre nossos países muito mais intensas e produtivas em prol do desenvolvimento de nossos povos.

Senhor Primeiro-Ministro, que esta seja uma visita de muito êxito e de muita alegria.

Muito obrigado.

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