Agenda

Política
25/01/2017
2025
26/01/2017

Política

Brasil responde ataque, defende legalidade do impeachment e aponta contradições de Cuba

Marcelo Rech, especial da República Dominicana

Punta Cana – O Embaixador Paulo Estivallet de Mesquita, Subsecretário-Geral de América do Sul, Central e Caribe, do ministério das Relações Exteriores, representante brasileiro na V Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), respondeu ao líder cubano Raul Castro, que o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, seguiu todos os ritos legais e apontou as contradições daqueles que defendem a democracia que não praticam em seus países.

Segundo ele, “não posso deixar de lamentar a incompreensão, reiterada aqui pelo presidente Raul Castro, em relação ao longo e traumático processo que resultou na destituição da presidente Dilma Rousseff. A democracia é, antes de tudo, o império da lei. A democracia também requer eleições livres e regulares, liberdade de expressão e de organização, e a inexistência de presos políticos”, afirmou.

Para várias delegações presentes, a mensagem do Brasil foi clara e dirigida tanto a Cuba como à Venezuela e aos demais países do eixo bolivariano. Paulo Estivallet destacou ainda que “na democracia, a lei é igual para todos e ninguém está acima da lei, nem mesmo os mandatários”.

“O processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff foi realizado em estrito cumprimento da Constituição e das leis da República Federativa do Brasil, sob supervisão do Supremo Tribunal Federal. A atitude de incompreensão de Cuba contradiz sua afirmação sobre a necessidade do estrito respeito à proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz e em nada contribui para a construção da unidade na região e para a consolidação da CELAC. Ao contrário”, explicou.

Castro foi o único que criticou o que chamou de “golpe de Estado parlamentar e judicial no Brasil”. Antes, Rafael Correa, do Equador, havia se solidarizado com Lula, Dilma e Cristina Kirchner, que, nas suas palavras, “são líderes históricos que sofrem brutais assédios, num intento de deter o processo de integração em curso”.

Estivallet recordou ainda que “a integração latino-americana é, para o Brasil, não apenas uma política de governo, mas um princípio constitucional e prioridade permanente de nossa política externa”.

Ele lembrou que em 2018, a região comemorará os dez anos desde o inédito encontro de líderes latino-americanos e caribenhos, em Salvador (BA), etapa fundacional da criação da CELAC, e reconheceu a vocação regional para o diálogo e a consolidação da paz.

Por outro lado, enfatizou que o conceito “unidade na diversidade” é também “reconhecer que o desenvolvimento de cada país não pode prescindir do desenvolvimento da nossa região. Precisamos convergir em direção a um futuro melhor sem deixar de observar que há diferentes caminhos possíveis para esse futuro comum. Por isso, devemos cuidar para que diferenças de opinião não se consolidem em elementos de desagregação”, concluiu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *