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Irã

Brasil se retira do Conselho de Segurança

O Brasil se retirou da sessão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que nesta terça-feira, discutia um esboço das sanções que os Estados Unidos pretendem impor ao Irã.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o Brasil não aceita discutir sanções quando há um acordo que ainda deve ser implementado.

“A presença dos inspetores da Agência Atômica no Irã é a maior garantia de que não há desvios de urânio para fins militares, e em momento algum os iranianos questionaram essa presença”, afirmou Amorim.

Ele explicou que o texto assinado pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad contempla todas as reivindicações feitas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e pelo chamado grupo 5 + 1, integrado por Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França, mais a Alemanha.

“É a primeira vez que o Irã aceita por escrito uma proposta de enviar urânio levemente enriquecido para o exterior e receber depois o elemento combustível. Também aceitou formalizar esse compromisso pelos canais oficiais, como exigia a comunidade internacional”, destacou o ministro.

O chanceler revelou ainda que pretende enviar uma carta para todos os membros do Conselho de Segurança detalhando o acordo firmado com o Irã e avalizado pela Turquia.

Na sua opinião, “ignorar o acordo é desprezar uma solução pacífica”.

Para o chanceler, o enriquecimento do urânio a 20% pelo Irã não consta do acordo porque é um tema a ser tratado nas negociações futuras.

Além disso, explicou que o país não tem mais que 5 Kg de urânio enriquecido a 20%.

 

 

 

 

Análise da Notícia

Marcelo Rech

Após o anúncio de que um acordo com o Irã havia sido alcançado, os Estados Unidos se apressaram em dizer que se tratava de algo vago.

O que se conseguiu em Teerã é exatamente o que se tentava através da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Novos atores se meteram na briga e lograram convencer um país que não tem razão alguma para confiar num grupo liderado pela maior potência bélica mundial.

O Irã aceitou com o Brasil e a Turquia o que não aceitava com as ditas potências mundiais.

Menos de 24h depois sem qualquer justificativa ou fato novo, os Estados Unidos adentram o Conselho de Segurança da ONU com um conjunto de sanções a serem aprovadas e impostas àquele país.

O gesto deixa claro que os esforços do Brasil e de outros países por uma saída negociada pouco importava.

Barack Obama, o prêmio Nobel da paz, parece mesmo disposto a fazer do Irã um novo Iraque.

Não sei que o aconselha, mas a única coisa que os Estados Unidos conseguem com atitudes como esta é a antipatia do resto do mundo.

Além de ser um tremendo tiro no pé: se não confiam mesmo em Ahmadinejad que dêem tempo para ele se revelar. Em 30 dias, como diz o ministro Celso Amorim, o Irã não vai construir uma bomba.

 

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