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Brasil suspende envio de embaixador

Brasil suspende envio de embaixador

O governo brasileiro condenou em nota, os testes nucleares realizados pela Coréia do Norte e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, suspendeu a abertura da embaixada brasileira em Pyongyang.

Arnaldo Carrilho, que assumiria o posto fica em Pequim até segunda ordem.

Ele seria o primeiro embaixador do país na Coréia do Norte e o único da América Latina junto ao regime mais fechado do mundo.

De acordo com a nota do Itamaraty, não há prazo para que a embaixada seja aberta.

O Brasil espera que a Coréia do Norte volte a integrar o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e assuma os compromissos previstos pelo Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares.

Além disso, manifesta preocupação com o tensionamento das relações na Península Coreana.

Repercussão

O ministério das Relações Exteriores se vê obrigado a repensar os planos para a Coréia do Norte. O presidente Lula apostava no comércio bilateral como forma de colocar o Brasil com um ator importante na região.

Diante do desafio feito pela Coréia do Norte ao mundo, o país terá de congelar preventivamente as relações.

O segundo teste nuclear subterrâneo realizado pelos norte-coreanos em três anos forçou a comunidade internacional a se posicionar.

Analistas afirmam que a Coréia do Norte chantageia o mundo e que o papel da Organização das Nações Unidas (ONU), será decisivo neste contexto.

Numa reunião de emergência, o Conselho de Segurança condenou por unanimidade os testes. Houve violação da resolução aprovada pelo órgão em 2006.

A China, aliada da Coréia do Norte, também se manifestou de forma enérgica. A França cobra a imposição de sanções duras e os Estados Unidos defendem uma ação conjunta.

Três mísseis de curto alcance foram disparados em direção ao Mar do Japão. Em abril, o país havia lançado um míssil de longo alcance.

Para piorar, a Coréia do Norte já havia detido jornalistas norte-americanos, expulsado inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e suspendido as negociações com a Coréia do Sul, Estados Unidos, China, Rússia e Japão.

Diante das provocações feitas pelo vizinho, a Coréia do Sul colocou suas tropas em estado de alerta.

Nota do Itamaraty

Teste nuclear norte-coreano

“O Governo brasileiro condena veementemente o teste nuclear realizado pela República Democrática e Popular da Coreia (RPDC), hoje, 25 de maio. O teste viola a Resolução 1718, adotada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em 14 de outubro de 2006.

O Brasil expressa a expectativa de que a RPDC se reintegre, o mais rapidamente possível e como país não nuclearmente armado, ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP).

Da mesma forma, o Governo brasileiro conclama a RPDC a assinar, no mais breve prazo, o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBT) e a observar estritamente a moratória de testes nucleares.

O Brasil espera, ainda, que a RPDC retorne, com espírito construtivo, às Negociações Hexapartites, visando à desnuclearização da Península Coreana, e apela a todas as partes para que se abstenham de atos que possam agravar as tensões nos contextos regional e global”.

Análise da Notícia

Além de desafiar a comunidade internacional, os testes nucleares realizados pela Coréia do Norte também expõem as vulnerabilidades da diplomacia.

O regime comunista chantageia o mundo justamente por que ninguém se entende.

As sanções impostas pela ONU não surtem efeitos.

Os Estados Unidos têm os seus interesses e aliados. A China tem os seus. O Japão, a sua política.

A Coréia do Norte é um país pequeno, pobre e miserável, que se torna forte justamentepor conta das divergências entre os outros.

Pyongyang tira proveito da falta de coordenação internacional, para colocar em xeque a estabilidade internacional.

Por outro lado, enquanto as grandes potências não chegarem a um acordo justo sobre o desenvolvimento da energia atômica, tudo ficará ainda mais complicado.

Quem não tem essas armas, quer ter e quem tem, não quer destruir.

Trata-se de uma equação simples e complicada ao mesmo tempo.

A diplomacia brasileira acerta ao suspender a abertura da embaixada naquele país.

Embora o Brasil defenda uma política exterior que não é seletiva entre aliados e inimigos, não se pode manter um relacionamento bilateral com um país que ignora o Direito Internacional e ameaça o planeta.

Seria atuar como cúmplice desse regime.

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