Defesa

Brasil e Venezuela fortalecem cooperação militar
27/08/2008
Programa FX2
27/08/2008

Brasil terá acordo estratégico com a França

Brasil terá acordo estratégico com a França

Nelson Jobim

Assistimos hoje à integração dos últimos Mirrage 2000 ao nosso conjunto de caças do Brasil. Sabem os senhores e senhoras que elaboramos e estamos a elaborar, e apresentaremos ao Brasil, nesta semana, o nosso Plano Estratégico Nacional de Defesa.

O que tem de se ter presente claramente é que o processo de transformação, que decorrerá do início desta situação com as diretrizes desse plano, é processo de transformação das Forças Armadas brasileiras, que tem como perspectiva uma reorganização nos seus efetivos, na sua lotação e na integração entre as próprias Forças.

E, fundamentalmente, considerando que a defesa deixa de ser tema exclusivamente militar para ser tema da Nação.

E, por ser tema da Nação, a transformação das Forças não se dá na perspectiva da existência da ameaça, de um inimigo, se dá isso sim na perspectiva da capacitação do país em termos dissuasórios.

Enganam-se aqueles que pensam, ou pretendem pensar e afirmar, que a organização e a transformação das Forças brasileiras têm alguma perspectiva na análise da existência de alguma posição ou algum opositor. Não. O que precisamos é nos organizar em termos de nossa capacitação.

Chega de pensarmos pequeno. Chega de termos pretensões de curto prazo. Precisamos ter afirmações de curto, médio e de longo prazo. E a capacitação de um temor dissuasório efetivo no Brasil é fundamental, tendo em vista sua perspectiva de país grande.

E é por isso que, no final do ano, em dezembro, comparecerá ao Brasil Sua Excelência o presidente (da França, Nicolas) Sarkosy, e o Brasil firmará grande acordo estratégico com a França, que envolve não só trocas e trabalhos na área de defesa, mas fundamentalmente a possibilidade de ampliação de nossa base industrial de defesa em aliança com os franceses.

Os franceses e a França são o país que, nos diálogos que fizemos pelo mundo, com a Índia, com a Rússia, com a Suécia, com os Estados Unidos, em todos eles só encontramos efetivamente com os franceses uma transparência, uma disposição real de uma parceria estratégica com o Brasil.

Não somos, não seremos e não continuaremos a ser meros consumidores de produtos de defesa, seremos, isso sim, produtores de serviços de defesa na integração do desenvolvimento brasileiro.

Os dois Mirrages que ora nos são entregues é o final de um ciclo. Teremos um novo ciclo. Um novo ciclo em que os produtos terão, junto com o ciclo, claramente, as cores brasileira e francesa para afirmar a efetividade do Brasil como um país grande.

Senhor comandante da Aeronáutica, quero agradecer toda a transparência do relacionamento do comando da Aeronáutica com o Ministério da Defesa, e dizer a V. Exa. que isso continuará assim, de forma que estamos hoje servindo a um objetivo claro, que é a afirmação do Brasil como grande potência.

E ter o Brasil como grande potência significa ter o Brasil a capacitação clara de poder dissuasório efetivo, e não verbal, e não meramente virtual. E é por isso que agradeço a V. Exa. essa dedicação. Cumprimento a todos.

E digo, não só para os franceses, que temos um longo caminho a percorrer. E saberemos percorrer com absoluta tranqüilidade.

Nelson Jobim é ministro da Defesa

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