Opinião

Sul-Americanos e Árabes
16/05/2005
Política Externa
16/05/2005

O mais do mesmo

Brasil, um país para ‘alguns”

Marcelo Rech

Em 2002, o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva conquistou pouco mais de 53 milhões de votos. Depois de duas eleições frustradas, chegou ao poder o primeiro presidente vindo das classes mais pobres do país.

Nascia um sentimento de esperança muito grande. O Brasil seria outro. A corrupção seria apenas um capítulo na história do país.
Passados dois anos e quatro meses, o que os brasileiros vêem é um país atolado nos mesmos problemas de antes.

Corrupção, propina, conchavos, brigas internas no governo, distribuição de cargos em troca de votos e o Brasil continua sendo um país para alguns.

Das muitas pretensões deslumbradas deste governo, uma é acreditar que se está construindo um país para todos. Todos quem cara-pálida? A máquina está inchada de petistas e apadrinhados. Talvez por que eles sejam obrigados a engordar a conta corrente do PT.

O Brasil está muito distante de ser um país justo, e justiça seja feita, isso não foi provocado pelo atual governo. Pelo contrário, muitos dos atuais donos do poder, foram essenciais para revelar os conluios que sangraram as riquezas do país. Foram essenciais na cassação de um presidente e de vários deputados corruptos.

Foram, por que hoje, ignoram as próprias biografias e conseguem defender personalidades com as quais nunca tiveram qualquer afinidade. Com o episódio Waldomiro Diniz, o PT perdeu o selo de único partido ético do país.

Blindou-se o ministro José Dirceu e aqueles que ajudaram a derrubar um presidente, não permitiram que o ministro esclarecesse o fato junto ao Congresso e à sociedade.

Resta saber o que essa gente fará com mais um episódio de corrupção neste governo. A demissão do chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Maurício Marinho, indicado pelo presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson, apanhado recebendo propina em nome do partido, não é suficiente para dar o caso por encerrado.

Jefferson foi da tropa de choque de Collor e um dos mais ferozes combatentes do PT. Daquele PT ético e sintonizado com os anseios do povo. Hoje, é aliado de um PT distante da população e mais preocupado com a reeleição de Lula, e com o inchaço da máquina estatal.

Segundo reportagem da revista Veja [edição 1905], Marinho é mostrado numa gravação de quase duas horas, participando de um esquema de corrupção nos Correios. O ministro das Comunicações, Eunicio Oliveira divulgou nota em que aceita o afastamento do diretor de Administração, Antônio Ozório Batista, até a conclusão do processo.

Jefferson é um aliado importante do governo e o seu partido já deixou claro que o PT terá de tratá-lo da mesma forma com que tratou Dirceu. Não há dúvidas que as denúncias por si só, seriam suficientes para que o antigo PT pedisse uma CPI.

O que o atual PT fará ainda é uma incógnita, mas não será fácil desvencilhar-se do problema com a desculpa de que nada sabia. Dirceu já usou essa tática ao afirmar peremptoriamente que desconhecia o que o seu braço-direito fazia, numa sala a menos de 200 metros do presidente.

Marcelo Rech é Editor do InfoRel

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *