Brasília, 17 de novembro de 2018 - 14h18

Brasil vai exigir reciprocidade da Espanha

22 de fevereiro de 2012
por: InfoRel
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Brasília - Com pouco mais de um ano de atraso, o governo brasileiro anunciou que os espanhóis que desembarcam no Brasil terão de passar por uma rígida lista de exigências que inclui pelo menos US$ 100 para cada dia no país, bilhete de retorno à Espanha, reserva em hotel já paga e cartão de crédito com limite suficiente para os dias passados no Brasil. A decisão é baseada no princípio da reciprocidade. Os brasileiros que desembarcam na Espanha passam pelo mesmo rigor.



Oficialmente, o ministério das Relações Exteriores garante que não se trata de retaliação. No ano passado, mais de mil brasileiros foram deportados da Espanha, vários deles seguiam para outros destinos.



A decisão, segundo o Itamaraty, entra em vigor no dia 2 de abril.



O ex-embaixador da Espanha no Brasil, Carlos Alonso Zaldívar, criticou a decisão e afirmou que as denúncias contra o seu país são superdimensionadas pela imprensa.



Há pelo menos três anos, o ministério das Relações Exteriores registra casos de discriminação e preconceito contra brasileiros nos aeroportos espanhóis. Há dezenas de casos em que as pessoas são impedidas de se comunicar com as autoridades brasileiras.



Os espanhóis terão de portar passaportes válidos por pelo menos seis meses e aqueles que forem se hospedar na casa de amigos terão de apresentar uma carta-convite de quem hospeda e um comprovante de residência da pessoa.



Em 2011, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou na Câmara dos Deputados que tratou do assunto com a então chanceler Trinidad Jimenez.



Segundo ele, o Brasil já cogitava adotar o princípio da reciprocidade.



Análise da Notícia



Marcelo Rech



O princípio da reciprocidade não foi adotado pelo Brasil para não afetar os investimentos espanhóis no país.



Como a Espanha chegou a ser a principal parceira econômica do Brasil depois dos Estados Unidos, as autoridades faziam vistas grossas às humilhações sofridas por brasileiros naquele país.



A crise financeira provocou uma crise política na Espanha. Os socialistas conseguiram quebrar o país e uma eleição teve de ser antecipada para evitar o pior.



Hoje, a Espanha atravessa uma crise econômica grave. O desemprego não pára de crescer. Muitos imigrantes de todas as partes do mundo estão retornando aos seus países. A Espanha deixou de ser um porto seguro.



Paralelamente, muitos espanhóis se sentiram atraídos pelo Brasil, a 6ª economia do mundo. Tem muita gente tentando entrar no país atrás de emprego. Entre essas pessoas, muitos pesquisadores e profissionais com alta qualificação.



O ministério das Relações Exteriores evita falar em retaliação, mas ainda que com um enorme atraso, a medida não tem outra explicação.



Desde 2007 que o Brasil tenta uma saída conjunta para o problema dos brasileiros que tentam entrar na Espanha. Pelo menos dois embaixadores espanhóis trataram do assunto com arrogância e desdém.



Um deles sequer participava de reuniões no Itamaraty para tratar do assunto. Preferia as praias do Nordeste.



Para piorar, o novo chanceler espanhol José Manuel García-Margallo, não incluiu o Brasil entre as prioridades da política exterior de Mariano Rajoy (PP).



Além disso, anunciou o fechamento de várias embaixadas espanholas no mundo.



Não se sabe ao certo o futuro da representação em Brasília. Seguramente não estará entre as que serão fechadas, mas tampouco está entre suas prioridades. A Espanha está sem embaixador no Brasil desde dezembro e não há ninguém indicado para o cargo.



Além disso, não há uma política de comunicação e interação com o Brasil.



Muitas empresas espanholas reclamam que a embaixada do país não ajuda em nada e que as relações com o Brasil tendem a sofrer sérios danos.



Para um país que precisa aumentar o seu comércio para sair da crise, esse é um indicativo preocupante.

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