Brasília, 23 de maio de 2019 - 21h11

Minustah

14 de março de 2006 - 11:24:00
por: InfoRel
Compartilhar notícia:
O presidente eleito do Haiti, René Préval, esteve no Brasil na última sexta-feira e voltou atrás em relação ao que pregara durante a campanha eleitoral no paà­s.

Ao contrário do que afirmara em Porto Prà­ncipe, Préval defendeu a manutenção das tropas militares da ONU no paà­s. Lula deixou claro que as tropas brasileiras permanecem no Haiti enquanto Préval julgar necessário.

René Préval afirmou na Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, descartou que o seu paà­s vá constituir um Exército para garantir a defesa do Haiti. As Forças Armadas foram extintas no paà­s na década de 90. Desde então, segurança pública e Defesa são responsabilidades da Polà­cia Nacional do Haiti.

Préval agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo apoio brasileiro no restabelecimento da democracia no paà­s. Segundo ele, ”o Exército [brasileiro] tem tido um papel importante. Nosso paà­s está vivendo um momento crà­tico, mas esperamos que todas as discussões democráticas sejam restabelecidas de pronto”.

Ele defendeu a permanência dos soldados brasileiros na missão de paz das Nações Unidas [ONU]. Na sua opinião, sem a Minustah, o Haiti poderia viver uma situação crà­tica. Préval apelou aos deputados e senadores para que mantenham o apoio à s tropas brasileiras.

O Congresso deverá analisar em breve, proposta que pede a retirada das tropas do Haiti. Na avaliação de vários parlamentares, a Minustah só se justifica até a posse do novo presidente. A partir daà­, passaria a atuar como tropa de ocupação.

Préval também veio em busca de apoio para a recuperação da infra-estrutura e do subsolo haitiano. O presidente visitou a Embrapa, empresa que deverá cooperar para que o Haiti recupere sua capacidade agrà­cola.

O senador Saturnino Braga [PT-RJ], presidente da CREDN, afirmou que ”o Brasil é uma nação que deseja ser uma das mais fortes na paz, no direito internacional, na justiça. Encaramos a missão de paz no Haiti com essas caracterà­sticas. Uma missão de paz, democracia, cooperação e justiça. Nos orgulhamos disso e temos certeza que a nossa tropa e diplomacia terão êxito.”

Minustah

Para o Comandante da Minustha, o general brasileiro José Elito Carvalho Siqueira, a Missão de Estabilização da ONU no Haiti deverá permanecer no paà­s por mais dois ou três anos.

Na sua opinião, apesar das eleições, ainda é visà­vel a instabilidade no Haiti. Ele não acredita que as tropas deixarão o caribe no curto prazo.

“Pode haver troca de paà­ses, o que é natural, mas ainda há muito a ser feito e leva tempo para que a força policial do paà­s esteja reestruturada e preparada para assumir o controle da segurança”, afirmou o militar.

Para o general, as tropas brasileiras devem parmanecer no Haiti até o fim do mandato da ONU para a missão. Ele fica no comando até 15 de janeiro de 2007. José Elito Siqueira também considera ideal o atual efetivo da Minustah, próximo dos oito mil homens.

Apesar de comandar militares de paà­ses sul-americanos, europeus, asiáticos e africanos, o general esclareceu que não existem dificuldades de comando e que todas as tropas estão preparadas para atuar no Haiti.

A posse do presidente eleito, René Préval, foi adiada para a segunda quinzena de abril.