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Brasil vai reconhecer governo de Honduras

Brasil vai reconhecer governo de Honduras

O governo de Honduras anunciou que vai retirar a denúncia contra o Brasil na Corte Internacional de Justiça de Haia.

O Brasil é acusado de ferir a Carta da Organização dos Estados Americanos (OEA) por ter dado refúgio em sua embaixada ao presidente deposto Manuel Zelaya.

Para o chanceler hondurenho, Mario Canahuati, a decisão é fundamental para que o país seja plenamente reintegrado à comunidade internacional.

Segundo ele, na próxima semana Honduras reabrirá suas embaixadas em Washington e na Cidade do México.

Canahuati informou ainda que até o final do mês o país receberá investimentos dos Estados Unidos e Canadá.

Em Brasília, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmou que o Brasil poderá rever sua posição em relação ao governo eleito de Honduras.

O reconhecimento do governo hondurenho é tema da Cúpula do Grupo do Rio que será realizada em Cancún entre 21 a 23 deste mês.

Para que o reconhecimento seja confirmado, Porfírio Lobo terá de assegurar que todas as denúncias contra Zelaya serão arquivadas e que golpes de Estado fazem parte do passado.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

O Brasil se meteu numa grande enrascada quando Manuel Zelaya bateu à porta de sua embaixada em Tegucigalpa e lá permaneceu por três meses.

Apesar de todos os cuidados, a diplomacia brasileira sabia desde o primeiro momento que as eleições seriam o único caminho para a solução da crise política.

Ao impor condições para reconhecer o governo eleito, o Brasil busca valorizar sua atuação neste episódio.

Para que Porfírio Lobo faça a foto ao lado de Lula, ele terá de garantir que Zelaya está limpo e que Honduras não terá outros golpes de Estado.

Mesmo que tais garantias sejam oferecidas, somente o tempo dirá se são duradouras.

Ao reconhecer o governo eleito, o Brasil mantém a coerência em relação à sua política externa que é absolutamente contrária ao isolacionismo.

Honduras é um país pobre que precisa de apoio político e cooperação para que tais fatos não se repitam e a democracia seja fortalecida.

Não se garante a ordem e o respeito às leis apenas com discursos e retórica.

Depois que Estados Unidos, Canadá e União Européia, decidiram restabelecer as relações com Honduras, o Brasil é que ficaria isolado se não revisse sua posição.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e contra-insurgência. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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