Brasília, 11 de dezembro de 2018 - 21h42

Relações Internacionais

08 de julho de 2014
por: InfoRel
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Marcelo Rech



Entre os dias 14 e 16 de julho, Fortaleza (CE) e Brasília (DF) receberão os Chefes de Estado e de Governo dos países que formam o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para o início do seu segundo ciclo de cúpulas de alto nível. E o Brasil recebe os líderes desses países num momento em que o BRICS se consolida como bloco financeiro e político.



Apesar de algumas críticas aqui e acolá, o BRICS dá passos firmes desempenhando papel cada vez mais relevante nas relações internacionais contemporâneas.  Sua voz é cada vez mais ouvida quando o tema é a ordem mundial, as novas realidades e as necessidades de reformas profundas inclusive em termos de regulação financeira mundial.



Se antes não se sabia ao certo o que era, agora o BRICS é respeitado e até mesmo temido em alguns círculos. E não é para menos. O bloco reúne 40% da população mundial, 1/4 do globo, 1/3 das terras cultiváveis, 1/5 da economia mundial, e 15% do comércio internacional.



Trata-se de um mecanismo que não pode mais ser ignorado, seja qual for o tema em discussão. O BRICS deve ser visto como um fator poderoso na consolidação da nova realidade objetiva do século XXI. Além disso, consolida-se como exemplo de que é possível amarrar amizades e interesses mesmo tendo um Oceano pelo caminho.



A cada nova Cúpula, fica claro que o BRICS está disposto a ampliar a sua participação nas decisões globais e tem dado os passos necessários para isso.



Em 2011, admitiu a África do Sul como membro; em 2012, adotou moedas locais para transações; em 2013, implementou o Conselho Empresarial composto por 25 representantes de empresas; e deu início as discussões que resultarão na criação de uma Secretaria-Geral para o foro.



Além disso, seus líderes assinaram vários acordos no campo da “economia verde”, co-financiamento de projetos de infraestrutura na África e examina agora a criação do seu banco de desenvolvimento para evitar recorrer ao Banco Mundial, com um capital social de cerca de US$ 50 bilhões. A criação do banco deverá demorar ainda entre um e dois anos, mas será um marco para as relações financeiras mundiais.



Como parte deste processo e fazendo oposição ao Fundo Monetário Internacional (FMI), trabalha pela instituição de um fundo de US$ 100 bilhões. Há consenso entre os membros do BRICS de que os empréstimos e financiamentos outorgados pelo FMI e o Banco Mundial atendem apenas aos interesses dos Estados Unidos e da União Europeia.



O fato concreto é que a maioria, senão todos, os problemas mundiais não podem ser resolvidos sem a participação ativa do BRICS, sejam crises políticas, ambientais, energéticas ou o terrorismo e o narcotráfico.



Mesmo em relação à crise da Rússia com a Ucrânia, de alguma forma os membros do BRICS referendaram a posição de Moscou. Unidade rara e que faz toda a diferença.



Outro fator importante diz respeito ao interesse de atores cansados da hegemonia norte-americana e dos países do “Velho Mundo”, em somar-se ao bloco como Argentina, Egito, México, Indonésia e Turquia. Além disso, é fato que o BRICS vai interagir com o G-20, além de trabalhar com a Organização de Cooperação de Xangai. São movimentos que impactarão o presente e o futuro das relações internacionais como as conhecemos.



Marcelo Rech é jornalista, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contra-insurgência, Direitos Humanos nos Conflitos Armados, e diretor do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org


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