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Nova Ordem Mundial

10 de julho de 2014
por: InfoRel

Marcelo Rech



Dificilmente o analista sênior do Goldman Sachs, Jim O’Neill poderia imaginar que após dez anos de sua predileção sobre o que seria o BRICS, o bloco se tornaria não apenas um mecanismo comercial como um foro político capaz de impor-se com autoridade.



Nesta última década, a África do Sul somou-se ao bloco que também mudou em termos de concepção e trabalha por reformas concretas no sistema das Relações Internacionais ainda dominado por um país que amarra os demais por meio de arranjos político-militares.



O BRICS entende que cedo ou tarde, o modelo econômico-financeiro imposto pelo Ocidente se esgotará. Os indícios são contundentes. Atualmente, o mundo confronta-se com uma situação em que um país e as instituições financeiras internacionais mostram-se incapazes de controlar economias que se consolidam como as de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.



Aceitem ou não, o fato é que há uma transformação da ordem mundial desfavorável às tradicionais políticas adotadas para os demais em Washington.



O BRICS entra numa fase de consolidação. Há interesse político de seus líderes quanto à necessidade de se resolver pontualmente algumas divergências que são naturais. Além disso, sabem do potencial a ser explorado.



A Rússia é um exportador líquido de recursos energéticos, o Brasil, de matérias-primas agrícolas, a Índia, de serviços e tecnologia da informação, e a China, um dos principais fabricantes de produtos industriais.



Isso lhes permite atuar de forma consensuada não apenas no âmbito da cooperação comercial e econômica, mas também na discussão e solução dos temas da agenda internacional.



Os países do BRICS defendem a necessidade de se preservar o papel da ONU e do seu Conselho de Segurança na manutenção da paz e segurança com base na Carta das Nações Unidas e das normas universalmente reconhecidas do direito internacional.



Suas atividades visam preservar a paz tendo como pilares a luta contra a proliferação de armas de destruição em massa e a resolução pacífica dos conflitos.. A estratégia básica do BRICS é a não-intervenção em assuntos internos de outros países.



Recordemos que em suas três primeiras cúpulas, o BRICS deu ênfase à coordenação política. Na quarta, realizada em 2012 em Nova Déli, avançou-se para uma agenda que contemplou as parcerias do bloco em relação à estabilidade global, segurança e prosperidade, com destaque para o papel desempenhado em relação ao Programa Nuclear Iraniano, a situação no Afeganistão, o processo de paz no Oriente Médio e a crise da Síria.



Claro, como qualquer mecanismo em fase de construção, muitas vezes o entendimento e o consenso são impossíveis como, por exemplo, no caso sírio. No início de 2013, Rússia e China vetaram a resolução que abria caminho para uma intervenção estrangeira naquele país, enquanto Brasil, Índia e África do Sul, preferiram abster-se de votar.



Por outro lado, na Cúpula do G-20 em São Petersburgo, em setembro do mesmo ano, foram unânimes ao se colocarem contrários a uma nova guerra no Oriente Médio. Todos os líderes dos países do BRICS foram contundentes em seus discursos em oposição às intenções de se abrir uma nova frente de conflito na região. Inclusive, registrou-se que os países menores sentem-se cada vez mais vulneráveis e desprotegidos.



Esta posição certamente contribuiu para que os Estados Unidos e a OTAN não invadissem a Síria como fizeram na Líbia.



Há que se registrar ainda que na crise envolvendo Rússia e Ucrânia, 64 países votaram contra a resolução da ONU sobre a Crimeia e se mostraram simpáticos às ações russas considerando os aspectos históricos do problema e o desejo da população local de se unirem àquele país.



A percepção crescente é que o domínio norte-americano conquistado após o fim da Guerra Fria está em declínio e uma nova ordem mundial emerge. Neste contexto, o BRICS terá um papel ainda maior reforçando sua posição enquanto bloco, no campo da segurança internacional.



Marcelo Rech é jornalista, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contra-insurgência, Direitos Humanos nos Conflitos Armados, e diretor do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org.


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