BRICS reafirma apoio ao ingresso do Brasil no Conselho de Segurança da ONU

No dia 17 de dezembro, realizou-se a XII Cúpula do BRICS, concluída com a
emissão da Declaração de Moscou. Neste evento, ao contrário do que muitos
veículos de comunicação enfatizaram, Rússia, Índia, China e África do Sul,
endossaram o apoio ao ingresso do Brasil como membro do Conselho de
Segurança das Nações Unidas.


Ainda que este processo esteja parado e fora do radar das grandes potências,
o noticiário no Brasil tergiversou, mais uma vez, sobre suas conclusões. É fato
que o Itamaraty tem implementado uma política exterior que nos tira de um
extremo e nos leva para outro, mas isso não é justificativa para que a
desinformação seja a prioridade.
Agir deliberadamente em favor da desinformação com o objetivo de gerar


desgastes e prejuízos que atinjam o governo, é algo que deveria ser fortemente
condenado. O grande prejudicado é o Brasil e o país, não pertence ao
mandatário de turno.
O BRICS, segundo a Declaração de Moscou, diz, em seu item 7:


Congratulamos a Índia por sua eleição como membro do Conselho de
Segurança da ONU para o mandato 2021-2022, e louvamos a África do Sul por
sua contribuição como membro do Conselho de Segurança da ONU em 2019 – 2020.

Também reconhecemos a candidatura do Brasil como membro do
Conselho de Segurança para o biênio 2022-2023. Será uma oportunidade para
aprimorar mais o diálogo com os países do BRICS sobre questões na agenda
do Conselho de Segurança da ONU e para a cooperação continuada dos
países do BRICS em áreas de interesse mútuo, inclusive por meio de
intercâmbios regulares entre suas Missões Permanentes nas Nações Unidas e
em outros fóruns internacionais.


Os interesses comuns do bloco não são exatamente os mesmos de cada um
de seus membros. Mas isso é algo natural, não se configura, necessariamente
em problema. Na essência, os países que integram o bloco, coincidem em suas posições acerca dos grandes temas da agenda internacional. Ao apoiar o
ingresso do Brasil como membro do Conselho de Segurança das Nações
Unidas para o período 2022 – 2023, o BRICS destaca a oportunidade que será
dada ao aprimoramento do diálogo em torno da reforma da principal instância
multilçateral, tão urgente quanto necessária.


A exemplo de outros fóruns, o BRICS também foi impactado pela crise sanitária
e viu reduzidas as suas margens de manobra, mas insistir em que o bloco trata
de isolar um dos seus principais integrantes, chega a ser lamentável. Apenas
no capítulo Política e Segurança, são 31 parágrafos contemplando todos os
principais eventos em curso no planeta. O Brasil participou, influiu e ajudou a
redigi-los.


No total, 138 reuniões foram realizadas apenas durante a presidência russa do
bloco, abarcando desde temas geopolíticos, econômico-comerciais, até as
agendas culturais e as prioridades para as políticas sociais no âmbito dos seus
integrantes.


O Itamaraty pratica, sim, uma política ideológica quando o ideal seria resgatar a política externa de Estado, implementada de acordo com o interesse nacional e
blindada dos arroubos político-eleitorais. Exatamente aquilo que muitos críticos,
hoje na oposição, não fizeram quando lá estiveram.


Tenho insistido: o Brasil jamais será isolado ou terá sua voz ignorada ou
calada, mesmo que este seja o desejo de grande parte daqueles que apostam
no caos por razões políticas. O país é grande e importante demais para
receber a indiferença dos demais. E, mesmo a antipatia pelo seu presidente,
não é argumento suficiente para que o Brasil seja colocado na zona do
rebaixamento internacional.

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