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Briga entre vizinhos

31 de agosto de 2010
por: InfoRel

Laís Araújo do Couto e Suyá Paladino Linhares de Oliveira



Em meio a tentativas de mediação de conflitos bem distantes, como no caso do Irã, o Brasil vê–se diante de tensões diplomáticas em plena vizinhança sul-americana, caso do último e mais polêmico conflito entre Colômbia e Venezuela.



São anos e anos de conturbada relação entre a Venezuela de Chávez e a Colômbia de Uribe.



A tensão aumentou no ano passado, depois que os EUA e a Colômbia assinaram Acordo de Cooperação Militar que permite a instalação, em sete bases colombianas, de tropas de apoio e equipamentos logísticos do EUA.



Chávez diz que este convênio militar ameaça a segurança de seu país e da região, enquanto a Colômbia afirma que o acordo ajudará no combate ao narcotráfico e aos grupos guerrilheiros.



Após muitas ameaças de ambos os lados, a Venezuela rompeu relações diplomáticas com a Colômbia em 22/07/10, justamente no final do mandado de 8 anos de Uribe, após este voltar a apresentar evidências e a acusar Chávez de conivência com relação às FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).



As principais forças apaziguadoras da região vieram tentar apagar o fogo. Em sessão extraordinária da OEA as partes “beligerantes” replicaram a retórica de acusações, sem que o assunto fosse resolvido.



O Presidente Lula, geralmente articulador para assuntos conflitivos da América do Sul desde o foro da UNASUL, prometeu conversar com os presidentes dos dois países, mas ao dizer que se tratava mais de um bate boca do que realmente um conflito grave, recebeu de Uribe reprimenda sobre sua conduta não muito profunda.



Uma questão que devemos ressaltar é que este rompimento afetou brutalmente o fluxo migratório e comercial na fronteira entre os países.



O fluxo comercial, diminuiu de 6 bilhões em 2008 para estimado 1 bilhão em 2010, prejudicando a Colômbia, que teve suas exportações reduzidas e perdeu cerca de 750 mil empregos.



Já a Venezuela, entrou em uma crise de desabastecimento que pode ser caracterizado como um dos mais significativos da América do Sul.



O diálogo foi retomado no momento em que um novo presidente - Juan Manuel Santos - assumiu na Colômbia, inaugurando, para especialistas, uma nova política flexível de negociações e abertura com os vizinhos e com as próprias FARC.



A Venezuela esteve presente na posse de Santos, com o seu chanceler Nicolas Maduro. Em seu discurso de posse, Juan Manuel Santos restabeleceu a normalidade de relações com os vizinhos, em especial com o Equador, com o qual as relações estavam rompidas desde 2008, diante da invasão do território equatoriano por forças militares colombianas.



Para dar fim à contenda entre vizinhos, em 10/08/2010, na cidade colombiana de Santa Marta, o atual presidente da Colômbia se encontrou com o presidente da Venezuela e restabeleceram relações diplomáticas.



Chávez se comprometeu a não permitir a presença de guerrilheiros colombianos na Venezuela. Além disso, os dois presidentes entraram em acordo no que diz respeito a cinco questões, são elas: (1) a dívida venezuelana; (2) um acordo de complementação econômica; (3) programa de investimento social na área da fronteira; (4) obras conjuntas de infra-estrutura na região; (5) e a segurança na área limítrofe entre os dois países.



Depois de tantas disputas e ameaças, parece que os dois países aproveitaram a mudança de governo na Colômbia para dividir as mesmas preocupações, ou seja, evitar a situação de beligerância, cooperar nos assuntos comuns, principalmente na área das fronteiras, e exigir que as FARC não usem territórios vizinhos da Colômbia para assegurar seu poder de logística.



O Presidente Lula e a diplomacia brasileira ganharam status de bons mediadores.



Essa vitória, no entanto, parece ser um pouco distante da complexidade que tem sido atuar no caso do Irã ou mesmo diante da pacificação política de Honduras.



Na América do sul, entre os dois vizinhos, a diplomacia brasileira conseguiu vitória e a paz voltou à agenda, esperamos, por longo tempo.



Lais Araujo do Couto e Suyá Paladino Linhares de Oliveira, estudantes do quarto período do curso de graduação em Relações Internacionais, IH-UCAM e fazem parte do PIC – Programa De Iniciação Científica. Do IH no CEAs, e são membros do GT III - Prevenção e Resolução De Conflitos Armados,  do Grupo de Analise de Prevenção de Conflitos Internacionais, sob a Coordenação do prof. Clóvis Brigagão.

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