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Bruxelas acredita em Acordo MERCOSUL – União Europeia até dezembro

Marcelo Rech, especial de Bruxelas – 

As autoridades negociadoras do Acordo de Livre Comércio MERCOSUL – União Europeia acreditam que, apesar das dificuldades em relação aos temas comerciais, o tratado entre os dois blocos será firmado até dezembro. No entanto, Bélgica, França, Irlanda e Polônia não demonstram entusiasmo e não têm pressa. Na primeira semana de novembro uma nova rodada de negociações será realizada em Brasília, seguida de outra em Bruxelas, antes do final do ano.

Os produtores europeus temem o aumento das importações agrícolas com o acordo e o presidente francês, Emmanuel Macron, deixou clara a posição do seu país em relação às negociações em reunião de líderes europeus realizada na capital da Europa. Para a França não há necessidade de assinar o TLC neste momento.

Já o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker minimizou a posição francesa ao dizer que não houve tempo (durante o encontro) de se falar de comércio internacional. No entanto, reforçou que a Europa tem uma grande oportunidade para selar acordos de comércio com todo o mundo, respeitando-se valores e padrões europeus e “a reciprocidade que busca o presidente francês”.

De acordo com Juncker, “seguiremos fazendo todo o possível para concluir as negociações com o MERCOSUL antes do final do ano. É importante. Nós subestimamos a importância do MERCOSUL para a União Europeia”, destacou. Para a Comissão Europeia, a economia que o bloco poderá obter com tarifas mais baixas com o MERCOSUL seriam três vezes maiores que as obtidas nos acordos com Canadá e Japão juntos.

Dados da UE revelam que as suas exportações ao MERCOSUL, que vão desde veículos até fármacos, estão sujeitas a cerca de 4,4 bilhões de euros em impostos. A França estaria entre os países mais beneficiados com o acordo. No entanto, Paris estaria preocupada com a velocidade das negociações, pois a UE também dialoga com Austrália e Nova Zelândia, países que desejam ampliar suas exportações de produtos agrícolas para a Europa.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

União Europeia e MERCOSUL negociam um Tratado de Livre Comércio desde 1999. São idas e vindas marcadas por uma enorme oscilação e até mesmo estagnação do processo. Desta vez, parece que os esforços em torno do acordo podem produzir resultados. Ao contrário do que sugere Macron, não há pressa, há demora.

Por outro lado, é importante assinalar que as resistências são de ambas as partes. As listas de ofertas não agradaram e será necessária muita paciência e habilidade para que as divergências sejam contornadas. É possível, inclusive, que um acordo que não inclua temas polêmicos e/ou sensíveis seja alcançado. Há entendimento de que é melhor um acordo mediano que nenhum acordo.

A Europa, vale ressaltar, atravessa um momento delicado com o Brexit e a polêmica em torno da propalada independência da Catalunha. Ambos acabam impactando nos discursos mais radicais, o que pode acabar por frear os entendimentos logrados até o momento.

Enquanto isso, Brasil e Argentina precisam de uma boa coordenação e liderança para fazer com que o MERCOSUL dê este passo, algo fundamental para a sua própria sobrevivência como bloco. Não será possível avançar em sua agenda negociadora em outras frentes se esta questão vier a fracassar mais uma vez.

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