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02/11/2005
Literatura
02/11/2005

Estados Unidos-Brasil

Bush conta com Lula, mas não vai ceder sobre Conselho de Segurança

Ao que tudo indica, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, está mesmo disposto a contar com o colega brasileiro quando às ameaças em relação à democracia na América do Sul. Lula seguirá conversando com os presidentes da região, inclusive Hugo Chávez, a pedra no sapato de Bush.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, desta quarta-feira, o presidente norte-americano afirmou que “não é papel dos Estados Unidos ou meu, dar ao presidente Lula uma lista e dizer-lhe: o senhor não pode falar com este ou aquele [presidente]”. Além das relações com Hugo Chávez, preocupam os laços de amizade que unem Lula e o presidente cubano Fidel Castro.

No entanto, o conteúdo da reportagem publicada pela revista Veja, dando conta que o PT recebeu US$ 3 milhões do governo cubano, não devem prejudicar as relações bilaterais. Embora não haja tanto otimismo quanto em 2003, os brasileiros acreditam que o encontro dos presidentes poderá ser importante para resgatar um relacionamento significativo para ambos.

”É lógico que na sua posição [de líder] desse país gigante da América do Sul, Lula tenha relações com todos os demais líderes sul-americanos e do Caribe. Nunca discuto com ele quem são os seus amigos”, afirmou Bush, para quem as boas relações com o presidente brasileiro servem para que ele possa consultá-lo a respeito de determinados problemas na região.

George W. Bush admitiu que já conversou com Lula sobre Chávez e Fidel e considera importante que o presidente brasileiro possa ter influência nos demais países da região, inclusive para promover valores comuns para ambos.

Na semana passada, ele e o presidente Lula conversaram sobre as negociações multilaterais da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio. Para os Estados Unidos, o Brasil é um ator importante nesse processo o que consolida o respeito por parte dos Estados Unidos e da União Européia, quanto às suas posições.

Tanto Brasil quanto Estados Unidos frustraram-se com relação à proposta de redução dos subsídios agrícolas apresentada pela União Européia. O tema será discutido por eles na Cúpula das Américas e no encontro reservado que terão em Brasília, no domingo, 6, na Granja do Torto, em Brasília.

Sobre a criação da Área de Livre Comércio das Américas, Bush reconheceu que as negociações chegaram a um impasse, mas ele vai tentar incluir pelo menos um parágrafo sobre o tema, na Declaração de Mar Del Plata.

Além de conversarem sobre comércio, segurança regional e instabilidades políticas na região, Bush e Lula deverão tratar ainda de temas como Haiti, onde o Brasil comanda a missão de estabilização da ONU [MINUSTAH].

Apesar das críticas ao desempenho das forças comandadas pelo Brasil, Bush disse que apóia e ajuda neste processo e que o ideal é que Brasil e Estados Unidos trabalhem juntos para devolver a estabilidade política e econômica ao Haiti. Para os Estados Unidos, o Haiti é vital para a manutenção da democracia em todo o continente.

Conselho de Segurança: Brasil receberá um não

Apesar da vontade do presidente George W. Bush de reduzir as tensões na América do Sul por conta de sua viagem à Argentina e Brasil, ele não pretende abrir mão da posição assumida pelos Estados Unidos de não permitir a ampliação do Conselho de Segurança da ONU.

Bush vai dizer um não bem claro ao presidente Lula. Não só não deseja que o Conselho seja ampliado como descarta qualquer possibilidade de se admitir novos membros permanentes com poder de veto.

Neste sentido, terá o apoio da Argentina e de vários outros países do continente. O Brasil ainda não decidiu se pretende tocar no assunto durante os três encontros de trabalho da Cúpula, mas certamente Lula vai discuti-lo nos 30 minutos do seu encontro reservado com Bush em Brasília.

Argentina e México pretendem tratar do asunto durante a Cúpula de Mar Del Plata. O chanceler argentino Rafael Bielsa já declarou várias vezes que a posição do governo Kirchner é contrária a que o Brasil alcance uma posição de membro permanente no mais importante órgão das Nações Unidas. Para os argentinos, o Brasil quer impor-se como único país capaz de representar a América do Sul no órgão, o que não será aceito.

O ministro de Relações Exteriores mexicano, Luis Ernesto Derbez, debe seguir a mesma linha do colega argentino. Segundo ele, “o Brasil não pode arrogar-se como representante único da América Latina”.

Os presidentes chileno Ricardo Lagos, venezuelano Hugo Chávez, peruano Alejandro Toledo, e o colombiano Álvaro Uribe, também poderão jogar um balde de água fria nas pretensões brasileiras. Neste sentido, todos concordam com a posição Argentina. O Canadá ainda não anunciou sua posição oficial.

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