Opinião

Programa Espacial
16/06/2005
Energia
17/06/2005

Crise Política

Cai o czar do governo, mas o PT continua batendo cabeça

Marcelo Rech

A demissão do ministro José Dirceu, que retorna à Câmara dos Deputados para defender-se e ao governo, foi um autêntico show que não tem outra intenção senão a de blindar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e evitar que a crise política o atinja.

De qualquer forma, trata-se de uma decisão importante que vai acelerar a tão necessária reforma ministerial. Lula terá de aproveitar a oportunidade para afastar a crise com um time que faça o governo funcionar. O grande problema continua sendo o próprio PT.

Com o afastamento de Dirceu do governo, o partido será o seu principal foco. Hoje, o Partido dos Trabalhadores é uma sigla absolutamente dividida, que não sabe muito bem para onde e como ir. O presidente do partido, José Genoino também poderá afastar-se de suas funções.

Lula quer mais. Quer ver Delúbio Soares e Sílvio Pereira fora da estrutura petista para evitar que as denuncias respinguem no Planalto. Além disso, complica-se de vez a situação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e do ministro da Previdência, Romero Jucá, que também deixarão o governo.

Mas, o importante é que o presidente decidiu mexer na equipe, abandonou a letargia e quer aproveitar o enfraquecimento de partidos como PL e PP, para devolver à Câmara, outros deputados importantes, mas ministros inexpressivos como Aldo Rebelo, Ricardo Berzoini, Patrus Ananias, Eduardo Campos e Eunício Oliveira.

Na avaliação geral do Planalto, não fucionaram como era esperado e podem reforçar a bancada governista na Câmara, hoje tão frágil quanto incapaz de reagir.

Lula também teria avisado ao PT para que trate da sua crise interna, deixando-o tratar do governo. Não quer ninguém blindando ministros e também deixou claro que até abril, mais gente poderá sair, basta que tenham intenção de disputar algum mandato em 2006. São os casos de Humberto Costa, Olívio Dutra, Tarso Genro, Ciro Gomes, Miguel Rosseto, e Paulo Bernardo.

O futuro dos ministros profissionais ainda é incerto. Luiz Fernando Furlan, Roberto Rodrigues, Celso Amorim, Márcio Thomaz Bastos e Antonio Palocci, a princípio, devem permanecer, mas podem ser remanejados.

Além de tentar desvincular o governo da crise, José Dirceu terá o papel fundamental de trabalhar para recuperar a imagem do PT, atirada na lama por pura incompetência, arrogância e falta de habilidade.

O patrimônio ético e moral do Partido dos Trabalhadores pode ser medido pela seção de cartas dos grandes jornais. Lá, o povo expressa o nível de frustração com o governo da esperança.

A demissão de Dirceu é assunto nos principais jornais do mundo, o que certamente terá algum reflexo na política externa brasileira, afinal de contas, além de ministro e poderoso, Dirceu era mais um dos nossos chanceleres.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *