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Câmara de Comércio Árabe Brasileira quer trabalhar com governo do Brasil

Câmara de Comércio Árabe Brasileira quer trabalhar com governo do Brasil

07 de novembro de 2018 - 17:05:59
por: Marcelo Rech
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Brasília – Apesar do anúncio feito pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, de transferir a sede da Embaixada do Brasil em Israel, de Tel Aviv para Jerusalém, a Câmara de Comércio Árabe Brasileira pretende trabalhar junto com o novo governo do Brasil para fortalecer as relações do país com o mundo árabe.

Nesta semana, o Egito cancelou visita que o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, faria ao Cairo, em retaliação às declarações de Bolsonaro. Além disso, os árabes em geral têm protestado contra a decisão, o que pode impactar o comércio principalmente de proteína animal.

A Câmara de Comércio Árabe Brasileira pretende apresentar ao presidente eleito, um estudo sobre o potencial de aumento dos negócios com a região. Segundo Rubens Hannun, presidente da entidade, “estamos de acordo com a posição do novo governo de desenvolver a produção, o agronegócio, a infraestrutura, e queremos aproveitar o momento para mostrar o potencial do mundo árabe”.

O documento foi elaborado ainda durante o processo eleitoral e deve ser entregue a Jair Bolsonaro antes da posse em 1º de janeiro de 2019. A expectativa é que os dados sensibilizem o presidente, pois a estimativa é que as exportações do Brasil para a região cheguem a US$ 20 bilhões até 2022, ante US$ 13,6 bilhões no ano passado.

“Como bloco, o mundo árabe é o segundo maior comprador de produtos do agronegócio brasileiro, atrás apenas da China. É necessário um planejamento para aumentar a participação de itens de maior valor agregado na pauta e de novas mercadorias com certificação halal. Os próprios árabes querem comprar mais do Brasil porque veem o país como um grande e confiável fornecedor de produtos halal ”, explicou Hannun.

Atualmente, o Brasil já é o maior fornecedor mundial de proteína animal halal, principalmente carne bovina e de frango, o que mostra a importância dos países árabes e muçulmanos para esta cadeia produtiva, mas pode avançar em outros segmentos, como o de cosméticos.

Além disso, investidores árabes têm interesse em aplicar recursos no Brasil, especialmente em infraestrutura, setor considerado prioritário pelo novo governo. Hoje, os fundos soberanos de nações árabes respondem por 40% dos ativos detidos por este tipo de instituição no mundo.