Empresários acreditam na adesão plena da Venezuela
26/10/2007
Brasil – Espanha
26/10/2007

Câmara Venezuelana Brasileira aposta no Mercosul

Câmara Venezuelana Brasileira aposta no Mercosul

Após a aprovação do tratado, o InfoRel ouviu José Francisco Fonseca Marcondes Neto, presidente da Câmara Venezuelana – Brasileira de Comércio e Indústria, e um dos empresários que mais trabalham pela conclusão desse processo.

O caminho até a aprovação final ainda é longo, mas Marcondes Neto acredita que o Congresso brasileiro ratificará o protocolo até dezembro. Na entrevista, o presidente da Câmara Venezuelana – Brasileira de Comércio e Indústria destaca alguns dos principais pontos positivos desse processo. Acompanhe:

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, finalmente aprovou o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul, que terá de passar ainda pelo Senado. Dá para acreditar que isso poderia ocorrer até dezembro?

Não tenho a menor dúvida de que o Protocolo de adesão da Venezuela será aprovado pelo Congresso brasileiro e acredito de acordo com recentes declarações do deputado Dr. Rosinha, relator do processo, que o prazo de dezembro é factível.

Recentemente, o senhor esteve com os presidentes da Câmara e do Senado para tratar do assunto. Qual a impressão prática que teve dos encontros?

Fomos muito bem recebidos por ambos os presidentes, da Câmara dos Deputados, deputado Arlindo Chinaglia, e do Senado Federal, senador Tião Viana. Ambos declararam apoiar o processo de adesão e trabalhar para que os trâmites de procedimentos legislativos ocorram com a maior celeridade possível.

Na ocasião, entregamos aos dois uma manifestação de apoio à adesão de 57 importantes entidades empresariais do norte e nordeste do Brasil e o resultado de uma pesquisa realizada pela Câmara Venezuelana-Brasileira em que menos de 1% dos empresários consultados (mais de 680 empresas) se declararam contrários à adesão. Considero que estes são argumentos muitos fortes e consistentes a serem considerados por nossos parlamentares.

Quais as vantagens econômico-comerciais que o ingresso pleno da Venezuela ao Mercosul representam para o Brasil e para o bloco?

A adesão da Venezuela ao Mercosul deve ser avaliada por aspectos mais amplos do que simplesmente os ecônomico-comerciais, afinal a integração da América Latina é a única forma da região se inserir e crescer nos próximos séculos frente a uma concentração mundial de poder.

Neste aspecto a Venezuela representa potencial energético, de água potável e bioflorestal que são fundamentais no novo mundo.

Se pensarmos apenas nos aspectos econômico-comerciais, como propõe a pergunta, significa a integração ao Mercosul da quarta economia da América do Sul e, particularmente, a incorporação do primeiro país andino ao Mercosul, permitindo que os estados do norte e nordeste do Brasil possam passar, de fato, a usufruir dos benefícios da integração do bloco econômico.

O que mais prejudica a análise do acordo pelo Congresso brasileiro e que prejuízos uma eventual rejeição do texto poderia causar para o país e para o Mercosul?

A análise vem sendo prejudicada pela politização exagerada do tema, por um lado, pelo processo de demonização de que vem sendo vítima o presidente Chávez e de outro pelas críticas da oposição brasileira à política exterior do governo do presidente Lula.

Quanto a uma eventual rejeição da proposta, sinceramente, não cogito esta possibilidade, portanto, nem comento os eventuais prejuízos.

A oposição ideologizou o debate acerca da Venezuela, isso é fato, mas por que entidades como a Fiesp e a CNI se mostram contrárias?

Como já respondi acima, não há dúvida que houve uma ideologização do tema. Quanto à CNI, em sua manifestação perante a CREDN da Câmara, a entidade se manifestou favoravelmente à adesão, apenas com alguns questionamentos de natureza técnica. De parte da Fiesp, por sua vez, nunca vi um pronunciamento oficial negativo de seu presidente Paulo Skaf.

O que o senhor destaca do documento entregue aos presidentes da Câmara e do Senado?

O destaque é ao claro e amplo apoio das bases do setor empresarial à integração da Venezuela ao Mercosul.

O protocolo foi aprovado no dia 24 pela Comissão de Relações Exteriores da Câmara. O que a Câmara Venezuela Brasileira de Comércio e Indústria planeja fazer para garantir a aprovação do texto no Senado?

Estamos divulgando o apoio de 12 governadores das regiões norte e nordeste do Brasil à adesão da Venezuela ao Mercosul o que é extremamente significativo.

Estes estados (Amapá. Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins) representam 94,6% do território e 84,4% da população destas as regiões, mas, mais importante que isto, representam 86,7% de seu Produto Interno Bruto (ano base 2004). Esta é mais uma demonstração da importância deste processo de adesão.

Como o senhor avalia a forma como a imprensa em geral trata dos temas relacionados com a Venezuela e especialmente, ao presidente Hugo Chávez?

Creio que, infelizmente, em muitas oportunidades as informações não chegam ao público em geral com fidedignidade, o que é lamentável.

Um dos argumentos usados pela oposição para travar o protocolo é que a Venezuela de Chávez vai prejudicar os entendimentos do Mercosul com a União Européia e os Estados Unidos. O senhor acredita nisso?

Acho que este argumento é, no mínimo, falacioso, pois mistura política com comércio.

Além de partir da presunção de que a opinião soberana da Venezuela, em um Mercosul que será composto por cinco países, prevaleceria sobre as demais, ou ainda, que esta opinião somada à da maioria dos países membros geraria posicionamentos contrários aos interesses do Brasil.

Nas vezes em que o senhor esteve com os presidentes Lula e Chávez, que percepção teve do relacionamento entre os dois, uma vez que Chávez acusa a imprensa de gerar mal estar entre ambos e de estimular intrigas que
inviabilizem um projeto político de integração sul-americana?

Minha percepção é de que a relação dos presidentes é a melhor possível.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *