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22/11/2016
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22/11/2016

Aeronáutica

Centro de desenvolvimento marca processo de transferência tecnológica

Brasília – A Força Aérea Brasileira (FAB) e as empresas de defesa e segurança Saab e Embraer deram um passo importante nesta terça-feira, 22, em Gavião Peixoto (SP), com a inauguração do Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (na sigla em inglês: GDDN – Gripen Design Development Network).

De acordo com a Aeronáutica, este é o principal marco no processo de transferência tecnológica entre Brasil e Suécia do projeto Gripen NG. Trata-se do primeiro da lista de 60 projetos de offset (compensações de natureza industrial, tecnológica ou comercial) avaliados em US$ 9 bilhões.

“É o principal projeto em termos de compensação comercial. É por meio desta base [o GDDN] que vamos garantir o desenvolvimento conjunto do Gripen NG com os suecos”, afirmou o gerente do projeto F-X2 da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), coronel Júlio César Cardoso Tavares.

O evento de inauguração contou com a presença do ministro da Defesa, Raul Jungmann, e os presidentes da Saab, Håkan Buskhe, e da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva.

Quando estiver em pleno funcionamento, o GDDN deve abrigar em torno de 300 engenheiros e técnicos dedicados à nova aeronave de caça do Brasil, cujas 36 unidades devem ser entregues em cinco anos a partir de 2019. Deste total, 23 serão produzidos pela Embraer, sendo 15 totalmente fabricados no Brasil. O centro brasileiro está conectado à Saab na Suécia e aos parceiros industriais no Brasil.

A FAB informou ainda que o processo de transferência de tecnologia foi iniciado há um ano com a ida de mais de cem engenheiros brasileiros para a Suécia. Até 2024, 350 profissionais participarão de cursos e treinamentos on-the-job no centro de pesquisa daquele país.

Eles são peças-chave para que o país crie competências e capacidades técnicas para, ao final do programa, dominar todo o conhecimento crítico necessário para o desenvolvimento de aviões de caça. Neste mês, 20 profissionais do primeiro grupo enviado retornam ao Brasil. Eles trabalharão no novo centro, onde também atuarão 12 engenheiros da Saab.

O novo prédio fica no complexo industrial da Embraer no interior de São Paulo, onde também é produzido o cargueiro KC-390. Com quase 4mil m2 de área construída, o espaço abrigará os equipamentos de testes para o desenvolvimento do Gripen, entre eles o simulador de voo que verifica a funcionalidade dos sistemas. “Todos os testes realizados na Suécia também serão reproduzidos aqui”, explicou o coronel Tavares. “Parte dos ensaios de voos para certificação da aeronave serão feitos no Brasil”, assegurou.

O Brasil investirá US$ 5 bilhões na aquisição das novas aeronaves de alto desempenho. De acordo com a COPAC, o projeto pode ser considerado um mecanismo facilitador para que o país fortaleça sua área tecnológica. Para se ter uma ideia, a Suécia desenvolve caças desde 1924.

“Esse projeto vai permitir que o Brasil tenha autonomia para construir aviões de caça no futuro. É uma facilitação no esforço do país para desenvolver caças de alta performance”, concluiu o militar.

Simpósio sobre Gripen aproxima Brasil e Suécia

Teve início nesta segunda-feira, 21, e segue até a próxima quarta, 23, um simpósio com a Força Aérea Sueca sobre aspectos operacionais e logísticos envolvidos na operação do futuro caça brasileiro, o Gripen NG. A ideia do encontro, que acontece em Brasília, é que os oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB) possam conhecer a estrutura e a rotina envolvidas na operação do Gripen na Suécia e fazer as adaptações necessárias para o recebimento da aeronave. As informações são do Comando da Aeronáutica.

De acordo com o Chefe da Segunda Subchefia do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER), brigadeiro Ricardo Reis Tavares, o encontro deve estabelecer pontos de contato entre as Forças Aéreas e promover o nivelamento de conhecimentos nas áreas operacional, logística, defesa antiaérea, defesa de solo e medicina aeroespacial. “Esse simpósio vai iniciar uma troca de experiências. Tudo que será debatido aqui vai influenciar nosso dia a dia sobre como operar o Gripen no futuro”, afirmou Reis.

O grupo de suecos que está ministrando as palestras é composto por cinco oficiais, dois pilotos de Gripen e três militares de nível gerencial. O adido militar junto à Embaixada da Suécia no Brasil também está acompanhando o evento. No primeiro dia de palestras, o foco foi a apresentação do contexto militar do país parceiro e a estrutura organizacional da Força Aérea Sueca.

O Tenente-Coronel Mattias Hansson, que é engenheiro aeronáutico e está no Brasil pela terceira vez devido ao projeto do Gripen, afirmou que, naquele país, as Forças Armadas são muito integradas à sociedade. “Todo sueco sabe o que fazer em caso de cenário de guerra. Em caso de mobilização, contamos com 850 mil soldados”, disse. A Força Aérea Sueca possui onze bases e 20 esquadrões de caça, em um território 18 vezes menor que o do Brasil.

A FAB revelou ainda que uma das mudanças que o Gripen NG vai trazer para a Força Aérea Brasileira no quesito operacional é a possibilidade de atualização constante dos sistemas embarcados, em uma média de 4 ou 5 anos. Segundo o Chefe da Sexta Subchefia do Estado-Maior da Aeronáutica, brigadeiro Paulo Eduardo Vasconcellos, isso vai trazer implicações aos futuros gestores, já que representa uma mudança de conceito em relação a como se procede hoje – a modernização completa das aeronaves após décadas de uso. “Isso mantém ativa por mais tempo a cadeia produtiva envolvida, além de, em tese, ser mais barato”, explicou.

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