Relações Exteriores

Discurso do ministro Celso Amorim na 65ª Assemblei
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Nações Unidas

Chanceler defende Cuba, Irã e G20 e ataca potências

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, abriu nesta quinta-feira, 23, a 65ª Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, em substituição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Amorim voltou a defender o diálogo da comunidade internacional com o Irã, condenou o golpe de Estado em Honduras e criticou mais uma vez o embargo econômico a Cuba que já dura 48 anos.

Irã

Nesta quarta-feira, 22, Celso Amorim conversou em Nova Iorque com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e apelou pela libertação de dois norte-americanos que estão presos em Teerã acusados de espionagem.

No início da semana, o chanceler encontrou-se com Sarah Shourd, a jovem que também estava presa e que foi deportada após a família pagar US$ 500 mil de fiança.

Os dois também falaram sobre as negociações em torno do programa nuclear iraniano.

De acordo com Celso Amorim, “temos insistido com o governo do Irã em manter uma posição de diálogo. Não pode haver um novo conflito, como o que houve no Iraque”.

Sul-Sul

O chanceler brasileiro destacou que a prioridade da política externa brasileira nos últimos oito anos tem sido a cooperação Sul-Sul.

Ele enfatizou que Lula visitou dezenas de países africanos nas onze viagens que realizou ao continente e que o Brasil “aumentou substancialmente sua ajuda humanitária e multiplicou os projetos de cooperação com países mais pobres”.

América do Sul

Nos últimos anos, o Governo brasileiro investiu muito na integração e na paz da América do Sul. Fortalecemos nossa parceria estratégica com a Argentina. Aprofundamos o Mercosul, inclusive com mecanismos financeiros únicos entre países em desenvolvimento”, afirmou.

Ele também apontou a União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) como mecanismo capaz de impedir qualquer ingerência externa nos assuntos da região.

“Com a criação da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, lançada na Bahia e confirmada em Cancún, reafirmamos a vontade regional de ampliar para a América Central e Caribe o espírito integracionista que anima os sul-americanos”, completou.

Cuba

Celso Amorim esteve em Havana antes da viagem aos Estados Unidos quando entregou uma carta do presidente Lula ao colega Rául Castro.

 

Na Assembleia Geral, deixou claro que o Brasil “reitera seu repúdio – que é de todos os latino-americanos e caribenhos – ao ilegítimo bloqueio a Cuba, cujo único resultado tem sido o de prejudicar milhões de cubanos em sua luta pelo desenvolvimento”.

 

Para a diplomacia brasileira, o bloqueio imposto à época da Guerra Fria é completamente contraproducente.

 

Honduras

 

Ao condenar mais uma vez o golpe de Estado em Honduras que depôs o presidente Manuel Zelaya, o ministro das Relações Exteriores afirmou que “o regresso do ex-Presidente Zelaya sem ameaças à sua liberdade é indispensável para a normalização plena das relações de Honduras com o conjunto da região”.

 

O Brasil não reconhece o governo do presidente Porfírio Lobo e mantém a embaixada em Tegucigalpa sem embaixador.

 

G20

 

Na avaliação do chanceler, a crise financeira de 2008 precipitou mudanças na governança econômica global e o G-20 acabou tomando o lugar do G-8 como principal foro de deliberação sobre temas econômicos.

 

“O G-20 significou uma evolução. Mas o grupo deve sofrer ajustes, por exemplo, para garantir maior presença africana. O G-20 só preservará sua relevância e legitimidade se souber manter diálogo franco e permanente com o conjunto das nações representadas nesta Assembleia Geral”, ressaltou.

 

Conselho de Segurança

 

Ao afirmar que a reforma da governança global ainda não alcançou o campo da paz e da segurança internacionais, Celso Amorim explicou que quando se trata desses assuntos, as potências tradicionais relutam em compartilhar o poder.

 

Segundo ele, “o Conselho de Segurança deve ser reformado, de modo a incluir maior participação dos países em desenvolvimento, inclusive entre seus membros permanentes. Não é possível continuar com métodos de trabalho pouco transparentes, que permitem aos membros permanentes discutirem, a portas fechadas e pelo tempo que desejarem assuntos que interessam a toda a Humanidade. O Brasil tem procurado corresponder ao que se espera de um membro do Conselho de Segurança, mesmo não-permanente, que é contribuir para a paz.

 

Oriente Médio

 

Celso Amorim assegurou que o Brasil segue com atenção os desdobramentos no processo de paz no Oriente Médio e que o país espera pela prevalência do diálogo direto entre palestinos e israelenses, “que resultem na criação de um Estado Palestino nas fronteiras anteriores a 1967. Um Estado que assegure ao povo palestino uma vida digna, coexistindo, lado a lado e pacificamente, com o Estado de Israel”.

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