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Genebra II

Chanceler não representará o Brasil em conferência sobre a Síria

Brasília – O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado não irá representar o Brasil na Conferência de Paz sobre a Síria que se realizará nesta quarta-feira, 22, em Montreux, na Suíça. Caberá ao Secretário-Geral do Itamaraty, embaixador Eduardo dos Santos, manter o Brasil como protagonista nas negociações de paz.

De acordo com o Planalto, Figueiredo ficará em Brasília para preparar a presidente Dilma Rousseff para sua viagem para Davos onde participará do Fórum Econômico Mundial. Lá estarão ainda os presidenciáveis Eduardo Campos e Marina Silva.

A participação do Brasil no processo de paz da Síria foi defendido pela Rússia, parceira no BRICS. A ideia é que o evento alcance um acordo entre o atual governo de Bashar Al Assad e a oposição resultando num cessar-fogo imediato e numa transição política posterior.

Para a Rússia, o Brasil poderia fazer a diferença em relação aos atores tradicionais. Além disso, Moscou apostava num discurso unificado dos BRICS em relação à guerra civil que já dura três anos e matou cerca de 100 mil pessoas.

Além disso, a pressão exercida pelos Estados Unidos, União Europeia e a oposição síria para que o Irã não participasse da conferência, pode representar um retrocesso nos avanços ainda tímidos conquistados nas últimas semanas.

Teerã é considerado aliado do regime de Assad, por isso foi excluído apesar dos apelos feitos pelo Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Para a Rússia, a retirada do convite ao Irã é um erro.

Em nota, o Itamaraty afirma que “o Brasil, convicto de que não há solução militar ao conflito sírio, acredita que Genebra II pode constituir oportunidade valiosa para que o Governo da Síria e representantes da oposição possam iniciar um diálogo necessário e construtivo e está pronto para colaborar para o êxito do evento e das negociações”.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

O cancelamento da viagem de Figueiredo compromete o papel do Brasil não apenas neste, mas em outros temas relacionados com o Oriente Médio, incluindo o processo de paz entre Israel e Palestina.

Desde 2010 o Brasil vem ocupando um terreno valioso nas discussões sobre a região. A guerra civil na Síria e a decisão iraniana de reduzir o enriquecimento de urânio conforme acordado com o P5+1, são talvez os dois principais temas da agenda internacional neste início de ano.

A decisão da presidente de exigir seu chanceler em Davos pouco vai acrescentar a um evento que é muito mais simbólico que prático, enquanto a conferência sobre a Síria poderá ser histórica.

É a velha história: estar no lugar certo na hora certa!

Além da questão síria propriamente dita, tem o Irã que é um país-chave para a resolução de boa parte dos problemas do Oriente Médio. O Brasil construiu um diálogo positivo com Teerã num passado recentíssimo. Agora, o Irã é excluído de uma conferência decisiva quando sua presença poderia dar ainda maior legitimidade às decisões adotadas.

E cadê o Brasil para atuar neste meio-campo? Com uma das maiores e mais importantes populações sírias fora do país, o Brasil poderia convencer a oposição ao regime de Assad sobre a importância do Irã sentar-se à mesa.

O fim da guerra civil na Síria não será alcançado enquanto apenas os que desejam a queda do regime estiverem dialogando entre si. O outro lado precisa e deve ser ouvido em que pese às atrocidades em curso.

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