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Eleições

Chanceler uruguaio faz campanha para a OEA em reunião AP – Mercosul

Marcelo Rech, especial de Santiago, Chile

O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Luis Almagro, aproveitou o Diálogo de Integração Aliança do Pacífico – Mercosul, realizado no dia 24 de novembro, para fortalecer a sua candidatura ao cargo de Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA). Ele disputará com o ex-vice-presidente da Guatemala, Eduardo Stein. A eleição acontece em março do próximo ano e a posse está prevista para maio.

O atual Secretário-Geral, o chileno José Miguel Izulsa cumpre o segundo mandato à frente da OEA e deve retornar ao Chile para preparar sua campanha presidencial à sucessão de Michele Bachelet.

Almagro já teria o apoio de todos os países que integram a AP, Mercosul, UNASUL e parte da CELAC. Stein garante que tem os votos de El Salvador, Honduras, Costa Rica, Panamá e República Dominicana. Estados Unidos e Canadá também estariam inclinados a apoiá-lo para evitar que um chanceler de um país governado por um partido de esquerda, presida a organização. O voto do México não é conhecido.

“A candidatura vai muito bem, excelente, mas sempre é possível tomar um gol de mão no último minuto”, explicou Almagro ao InfoRel.

Segundo ele, o plano de trabalho que pretende implementar caso seja eleito, será apresentado na própria OEA em 18 de fevereiro. A eleição ocorre exatos 30 dias depois. A posse será em Washington, dia 25 de maio de 2015.

Cuba

Entre as prioridades definidas em negociações com os países que o apoiam, Almagro quer pôr fim ao último resquício da Guerra Fria, fazendo com que Cuba retorne à OEA de onde foi expulsa em 1962. Em 2010, a Organização revogou a sua suspensão, mas Havana se recusou a retornar.

Na época, a diplomacia cubana priorizou a criação da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), como foro de concertação política que deveria ser fortalecido. Para tanto, contou com o apoio do Brasil.

Agora, Almagro entende que “uma nova OEA” poderá resolver esta situação. “Para tanto, vamos implementar um diálogo estratégico com os Estados Unidos. A OEA é o único mecanismo que reúne todos os países do hemisfério, incluindo a principal potência mundial. Este diálogo é fundamental para a América Latina”, explicou.

Ele também prometeu trabalhar para viabilizar a proposta da UNASUL para que Cuba participe da próxima Cúpula das Américas a ser realizada em 2015 no Panamá.

De acordo com o chanceler uruguaio, CELAC e OEA não concorrem, mas se complementam. “No entanto, vamos precisar coordenar muito bem as agendas para evitarmos duplicar esforços e enfoques. Com os Estados Unidos, vamos dialogar sobre temas regionais, mas também globais”.

Do ponto de vista econômico, Almagro lembrou que integram a OEA países que são membros de alguns dos principais blocos econômicos da região como Aliança do Pacífico, Mercosul, SICA e Nafta com Estados Unidos, México e Canadá.

Para o atual Secretário-Geral, José Miguel Insulza, a agenda da OEA deve continuar priorizando os temas hemisféricos. Em diálogo com o InfoRel, afirmou que após dez anos à frente da organização, acredita que os passos em relação ao fortalecimento da democracia no continente estão consolidados.

“Os desafios continuarão sendo a pobreza e a miséria que fortalecem as desigualdades, o combate ao crime organizado e ao narcotráfico, e no âmbito político, fazer com que cada vez mais os governos aceitem as normas e regras de controle democrático”, destacou.

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