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UNASUL

Chanceleres vão discutir crise na Venezuela e Brasil pode mediar conflito

Brasília – Os ministros de Relações Exteriores dos países-membros da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) se reunirão em Santiago, na próxima quarta-feira, 12, para discutir a crise política na Venezuela. Por enquanto, não há qualquer decisão sobre um encontro presidencial como quer o mandatário venezuelano Nicolás Maduro. Em Caracas, o assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, afirmou que o Brasil pode, se convidado, participar dos esforços por uma solução pacífica do conflito.

Foi a primeira vez que um alto funcionário do governo brasileiro falou publicamente sobre a crise e o envolvimento brasileiro. Garcia se reuniu com o presidente Maduro por 40 minutos para oferecer o apoio do Brasil e saiu da Venezuela com a sensação de que as coisas estão mais calmas.

Segundo ele, os protestos diminuíram e ocorrem em regiões específicas. Além disso, haveria um exagero por parte da mídia em relação ao que realmente acontece no país.

“Já estive aqui em outros momentos, como em 2002, e vejo que na época a crise era muito mais grave que agora, mas a dimensão dada neste momento, especialmente pelos veículos de comunicação internacionais, passa uma imagem de algo maior do que realmente é. O país não parou, as coisas estão funcionando, apesar dos problemas e protestos. Também há alguns setores da oposição que estão conversando com o governo”, explicou.

Marco Aurélio Garcia negou que o Brasil estivesse preocupado com a situação política da Venezuela e deixou claro que o país apoia a iniciativa venezuelana de tratar o tema no âmbito da UNASUL. Inclusive, revelou que o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, deverá pedir a criação de uma Comissão de Observadores da UNASUL para discutir o assunto na Venezuela.

Chanceleres

Na reunião dos chanceleres da UNASUL, o governo venezuelano pretende expor a situação enfrentada pelo país com protestos diários que estão prestes a completar um mês. De acordo com a chancelaria venezuelana, há um processo de desestabilização em curso que pode resultar num golpe de Estado.

Os presidentes dos países da UNASUL acham que não é para tanto e desestimam uma reunião extraordinária no mais alto nível.

A Venezuela, por sua vez, quer envolver a UNASUL no debate, pois descarta qualquer intermediação da Organização dos Estados Americanos (OEA) na resolução da crise.

O encontro dos ministros está marcado para o dia seguinte à posse da presidente Michele Bachelet, que acontece em Valparaíso no dia 11.

Mesmo com a confirmação da reunião de chanceleres, o presidente Nicolás Maduro, pediu que a UNASUL convoque o Conselho Presidencial para que ele possa falar aos colegas sobre os ataques que o país estaria sofrendo de grupos radicais de direita.

Maduro se reuniu nesta quinta-feira, 6, em Caracas, com o presidente do Suriname, Desi Bouterse, que preside temporalmente a UNASUL. Desde o início dos protestos, esta é a segunda vez que o governo venezuelano pede uma reunião presidencial da UNASUL.

Na semana passada, o ministro Elias Jaua, percorreu os países do bloco, com exceção de Colômbia, Chile e Peru, para pedir apoio à Venezuela. Até o momento, os distúrbios já deixaram mais de 20 mortos e cerca de mil presos. Cerca de 90 jornalistas também foram agredidos e feridos pelas milícias pró-governo.

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