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12/01/2017
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12/01/2017

Corrupção

Chefe da Inteligência argentina teria recebido US$ 600 mil da Odebrecht

Brasília – O doleiro brasileiro Leonardo Meirelles já condenado na Operação Lava Jato, realizou cinco transferências em 2013 para o atual chefe da Inteligência argentina, Gustavo Arribas, somando um total de US$ 600 mil. Os pagamentos teriam começado um dia depois do reativamento do contrato do trem Sarmiento para a Odebrecht. Arribas é o diretor da Agência Federal de Inteligência (AFI).

Meirelles fez a revelação em delação premiada e teria entregue documentos sobre milhares de transferências feitas pela Odebrecht e outras empresas brasileiras. Para o chefe da AFI, as tranferências se deram em uma conta na Suíça entre 25 e 27 de setembro de 2013, e de uma conta em Hong Kong, usada por uma empresa de fachada para a lavagem de dinheiro, evasão de divisas e o pagamento de subornos pela empresa.

O chefe da Inteligência argentina passa férias no Brasil e reconheceu ter recebido US$ 70,4 mil no dia 26 de setembro, mas que seria resultado da venda de um imóvel em São Paulo. Ele negou ter recebido outras transferências da Odebrecht.

Segundo a delação premiada de Meirelles, Gustavo Arribas recebeu os recursos quando vivia no Brasil e se dedicava à trasações de jogadores de futebol. Ele tem uma antiga relação de amizade com o presidente Mauricio Macri que foi presidente do Boca Juniors.

Em 2015, Leonardo Meirelles admitiu ter realizado cerca de 3,5 mil operações de pagamento de propinas entre 2009 e 2014. Pelo menos US$ 240 milhões foram pagos pelas empresas de fachada registradas em Hong Kong, mas também reconheceu ter feito pagamentos na Argentina e no Panamá.

A denúncia deverá ser investigada pela Justiça argentina e também pelo Congresso daquele país. 

Odebrecht causa prejuízo de US$ 283 milhões ao Peru

A Controladoria-Geral da República, do Peru, revelou nesta quarta-feira, 11, que entre 1998 e 2015, os contratos obtidos pela Odebrecht naquele país, causaram um prejuízo de US$ 283 milhões aos cofres públicos. Desde 1979, a companhia brasileira participou de 57 projetos no Peru.

Édgar Alarcón Tejada afirmou que entre os principais projetos realizados pela Odebrecht no Peru, figuram 23 que envolvem um total de US$ 16,9 milhões. Desse total, 16 já foram auditados e somam um total de US$ 11,2 milhões.

No âmbito do ministério de Energia e Minas, a empresa abocanhou contratos e compromissos de investimento por US$ 12,5 milhões, em obras como o Gasoduto Sul peruano e a hidroelétrica Cuma 4.

Junto com a pasta dos Transportes e Comunicações figuram contratos que comprometem investimentos de US$ 1,8 milhão, em projetos como o trecho 2 da linha 1 do metrô de Lima. A empresa também obteve contratos com a prefeitura da capital, para recuperar vias na cidade (US$ 499 milhões), e com governos regionais, entre 2004 e 2014, para obras diversas por cerca de US$ 1,5 milhão.

Édgar Alarcón Tejada anunciou a intenção de criar uma procuradoria ad hoc para os casos vinculados com a Odebrecht. Ele também pediu que o Judiciário instale um tribunal especializado em delitos anticorrupção, para tratar exclusivamente dos casos envolvendo a empresa brasileira. 

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