Brasília, 15 de novembro de 2018 - 05h23
China, o sócio mais confiável da América Latina

China, o sócio mais confiável da América Latina

08 de fevereiro de 2018
por: InfoRel
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Marcelo Rech, especial de Santiago

A frase que titula este artigo não é minha, mas do chanceler chinês, Wang Yi, e foi proferida na II Reunião de Ministros de Relações Exteriores do Fórum CELAC – China, realizada entre 19 e 22 de janeiro no Chile. O evento que reuniu representantes de mais de 30 países, demonstrou mais uma vez o interesse da China em fincar pé na região, aproveitando que os Estados Unidos priorizam outras agendas.

Enquanto Donald Trump desfere declarações preconceituosas contra os latino-americanos, Pequim afaga e investe pesado. Serão US$ 250 bilhões em dez anos. Para aquela que é uma das regiões mais desiguais do planeta, não está nada mal. De acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), entre 2000 e 2016, as importações latino-americanas dos Estados Unidos caíram de 50% para 33%, enquanto que as compras da China subiram de 3% para 18%. Da União Europeia estão na casa dos 13%.

A China já é, consolidada, o principal parceiro comercial de Brasil, Chile, Peru e Uruguai, que exporta mais para o gigante asiático que aos Estados Unidos e a UE juntos. No ano passado, o comércio entre a China e a América Latina alcançou os US$ 266 bilhões.

Durante o evento realizado no Chile, ficou clara a pretensão da China em reafirmar o seu interesse geoestratégico pela região. Os documentos firmados ao final da reunião confirmam que há um enorme potencial a ser explorado e que abrem grandes oportunidades de interesse mútuo.

No entanto, para responder ao interesse chinês e ter esse país como sócio confiável, a América Latina necessita fazer o dever de casa. É importante agregar valor aos seus produtos, atuar de forma coordenada, com critérios e um maior intercâmbio de experiências, e fazer frente às incertezas geopolíticas geradas pela administração norte-americana ante a aproximação cada vez mais contundente entre ambos.

É preciso ter em mente que em 2050, a Ásia poderá responder por metade do PIB mundial, e a sua demanda por recursos naturais e alimentos seguirá crescendo. Para os analistas Jorge Heine, ex-embaixador do Chile na China, e Jorge Bitar, ex-ministro dos presidentes Salvador Allende, Ricardo Lagos e Michelle Bachelet, a América Latina deve encarar o desafio de aumentar a produção de alimentos.

Eles destacam ainda a importância dos investimentos chineses na região, no financiamento de projetos de integração regional e sub-regional. Em 2016, a China investiu sozinha US$ 183 bilhões no mundo todo e a América Latina poderia beneficiar-se com obras que fortaleçam sua vocação em direção ao Pacífico. A China já investe no Panamá para ampliar os fluxos comerciais via América Central. Argentina, Brasil e Uruguai que exportam grandes quantidades de soja, ferro e carnes para aquele país, podem alcançar este mercado por meio dos portos chilenos.

Para tanto, é fundamental tirar do papel o corredor bioceânico que unirá esses países e a China possui condições econômicas e técnicas para realizar uma obra dessa envergadura.

No entanto, essa parceria deve ser diariamente construída resguardando a autonomia dos países latino-americanos que devem decidir sobre seus interesses estratégicos. É uma questão de confiança!

Marcelo Rech é jornalista, diretor do InfoRel, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contrainsurgência e o Impacto dos Direitos Humanos nos Conflitos Armados. E-mail: inforel@inforel.org.

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