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Brasil precisa diversificar matriz energética

CNEN: Brasil precisa diversificar matriz energética

Nesta quarta-feira, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), promoveu o seminário “Programa Brasileiro de Energia Nuclear: Energia Segura, Ambiente Preservado, Negócios para a Indústria”, quando especialistas debateram sobre a necessidade de o Brasil diversificar sua matriz energética.

Para a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), é fundamental para o país, a retomada da construção da usina Angra 3. Odair Dias Gonçalves, presidente da CNEN, afirmou que “o primeiro passo que precisa ser resolvido quando se fala em energia nuclear é o esclarecimento”.

Ele explicou que que algumas possibilidades já são estudadas para garantir o uso da nucleoeletricidade, como a extensão da vida útil das usinas a partir da troca dos geradores de vapor, que têm vida útil de 40 anos. Com a substituição poderá ser ampliado para 60 anos.

Gonçalves defendeu a produção de energia nuclear para garantir o crescimento do país e ampliar a matriz energética brasileira. Na sua avaliação, “o Brasil tem vocação para hidroeletricidade, está entre os melhores do mundo. Porém, é preciso diversificar a matriz energética já que a eólica e a solar ainda não se consolidaram como alternativa”, afirmou.

Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), apontam que a expansão da oferta de energia para atender à demanda até 2015 deverá ser de cerca de três mil megawats ao ano. Nesse período, o consumo deverá aumentar 5,1% ao ano.

O Presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, afirmou que o país possui um Plano Decenal de energia apontando quais obras precisam ser realizadas para atender demanda por energia.

“Se a gente pegar todo o urânio existente no Brasil seria necessário construir 25 reatores com capacidade para gerar 1.300 MW cada uma”, disse.

Na sua opinião, o potencial técnico da energia nuclear está fora de questão, uma vez que o Brasil é um país hídrico e seria um grande erro achar que o Brasil poderia crescer sem essa eletricidade.

Entretanto, lembrou que o potencial de urânio do Brasil deve ser aproveitado, pois o país já domina o ciclo de enriquecimento. “Esse é um ativo que não podemos desprezar porque poucos países têm esse domínio”, reconheceu.

Para o diretor do Programa da Secretaria de Qualidade do Ministério do Meio Ambiente, Ruy Góes Leite de Barros, a cobrança da tarifa é um dos fatores que fazem com que o ministério seja contrário a conclusão de Angra 3.

“O trabalho na usina teria que ser subsidiado pelo governo e essa é uma energia que nos traria poucos ganhos. Se for para investir dinheiro público em tecnologia da década de 70, vamos buscar outras alternativas. Há uma nova geração de conhecimento em curso”, afirmou.

Promovido com o objetivo de ampliar o debate sobre o investimento em energia nuclear, o seminário também serviu para aproximar o setor industrial do Programa Nuclear Brasileiro. A matriz energética brasileira conta hoje com apenas 2% de participação de energia nuclear.

Esse índice é considerado baixo uma vez que o país detém a sexta maior reserva de urânio do mundo e domina o ciclo de enriquecimento do minério.

A alternativa de ampliação da oferta de energia nuclear está no projeto Angra 3, onde já foram investidos US$ 800 milhões. A unidade depende de investimentos da ordem de US$ 1,8 bilhão para ser concluída. Mas a retomadas das obras depende de uma decisão do governo, onde não há consenso.

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