Brasília, 01 de outubro de 2020 - 13h33
CNI defende retomada da agenda de reformas para o Brasil fazer frente à crise

CNI defende retomada da agenda de reformas para o Brasil fazer frente à crise

30 de junho de 2020 - 15:17:29
por: Marcelo Rech
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Brasília – A Confederação Nacional da Indústria (CNI), defende a retomada da agenda de reformas e medidas de ajuste fiscal para o Brasil fazer frente à crise e fortalecer a sua competitividade internacional. Durante o XIII Briefing Diplomático, realizado na sexta-feira, 26, representantes da CNI apresentaram um panorama sobre o atual cenário da economia brasileira e perspectivas para a saída da recessão, para 76 representantes diplomáticos de cerca de 51 países.

O gerente-executivo de Pesquisas e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, afirmou que o Brasil precisa trabalhar para mostrar aos investidores que eles podem acreditar no país. “Precisamos seguir no caminho das reformas para reduzir o Custo Brasil. Isso significa que a Reforma Tributária deve ser a primeira da agenda, seguida por medidas na área da infraestrutura e no comércio internacional”, explicou.

Entre as medidas necessárias, a CNI destaca os marcos legais do gás natural, do setor elétrico e do saneamento básico. Fonseca ressaltou também a importância da agenda de concessões e privatizações e da implementação de boas práticas regulatórias para reduzir as incertezas no país, entre outras iniciativas. “Não há espaço para erros. O governo precisa manter a política fiscal e, ao mesmo tempo, precisa ajudar a economia a sair da crise”, disse.

Renato da Fonseca observou que o Brasil enfrenta um cenário de aumento do déficit nas contas do setor público consolidado em função das medidas de política social para fazer face à crise econômica. “O setor público enfrenta muitas restrições, com ampliação de seu déficit. O setor privado está mais fragilizado agora. Adicionalmente, temos uma redução no comércio internacional”, afirmou, ao apresentar cenários que mostram desde uma queda na economia de 0,9% em 2020 até de 7,3%. “Tudo depende do resultado do controle da doença”, disse.

A gerente de Política Comercial da CNI, Constanza Negri Biasutti, afirmou que, de janeiro a maio de 2020, houve queda de 16% nas exportações de produtos manufaturados brasileiros, na comparação com o mesmo período de 2019. Projeções apontam uma queda de até 20% nas exportações brasileiras até o fechamento do ano.

Além disso, com a crise econômica, 92 países já implementaram medidas unilaterais de comércio – 183 restritivas e 122 liberalizantes. São medidas em setores como médico e hospitalar; de drogas e medicamentos; e de antissépticos. “Isso sinaliza qual será o real impacto da crise. A questão é se esse cenário é temporário ou se essas medidas vão aumentar”, disse Constanza.

Ela avaliou que o governo brasileiro respondeu rapidamente à crise por meio de medidas na área do comércio exterior. As iniciativas vão desde a área de facilitação de comércio, passando por acordos comerciais, até a redução de restrições para a entrada no brasil de produtos utilizados no combate ao novo coronavírus.

Na sua avaliação, no atual momento, o tema barreiras comerciais se torna ainda mais relevante. Com a crise mundial, diferentes países podem ampliar o uso dessas barreiras, com aplicação de subsídios, elevação de imposto de importação, exigência de licenciamento de importação para produtos específicos e implementação de medidas sanitárias e fitossanitárias, entre outras.

Até maio, o setor industrial havia identificado 17 novas barreiras comerciais no exterior contra produtos brasileiros. Desde 2018, são 70 barreiras identificadas ao todo. “Com base no monitoramento dessas barreiras, podemos identificar que medidas de defesa comercial o Brasil deve adotar”, disse a gerente de Política Comercial da CNI.