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CNI quer suspensão das negociações comerciais com a Coreia do Sul

CNI quer suspensão das negociações comerciais com a Coreia do Sul

05 de maio de 2020 - 13:21:46
por: Marcelo Rech
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Brasília – A Confederação Nacional da Indústria (CNI), através do seu presidente, Robson Braga de Andrade, encaminhou carta ao ministro da Economia, Paulo Guedes, solicitando a suspensão das negociações do acordo comercial entre o MERCOSUL e a Coreia do Sul. O documento aponta que, entre outros motivos, o avanço acelerado do diálogo entre os dois países, sem consulta ao setor privado, acarretará na ampliação do saldo negativo da balança comercial em ao menos US$ 7 bilhões para o Brasil.

Segundo Andrade, "os setores industriais, que devem ter um papel relevante na retomada da economia e na geração de empregos nos níveis nacional e regional, sofrerão impactos graves sobretudo no cenário pós-pandemia da covid-19", afirmou.

O presidente da CNI lembra ainda que, no fim de 2019, foram estabelecidos dois importantes diálogos entre os Poderes Executivo e Legislativo: um sobre integração internacional e outro sobre produtividade e competitividade, envolvendo o Ministério da Economia, representantes do Poder Legislativo, CNI e associações industriais.

“Os dois diálogos foram fundamentais para estabelecer o objetivo de ampliar a integração internacional do Brasil, de forma gradual e com base em uma agenda que tivesse um olhar também para a competitividade da produção nacional”, destacou Robson Andrade.

Na avaliação do presidente da CNI, os acordos firmados pela Coreia do Sul com países em nível de desenvolvimento semelhante ao do Brasil, como a China, a Índia e a Turquia, são distintos do que vem sendo negociado pelo Brasil. Eles trazem exclusão de um número mais amplo de produtos, chegando a quase 20% das linhas tarifárias, períodos de carência, margens de preferência para produtos industriais, além de salvaguardas específicas para o setor industrial. 

“Temos informações de que a negociação está avançada, com cerca de 90% de cobertura do comércio bilateral. Contudo, o setor privado não foi informado sobre as concessões feitas pelos governos do MERCOSUL. Além disso, não parece haver dispositivos satisfatórios para tratar de produtos sensíveis, o que é comum nos acordos comerciais", explica Andrade.

Além disso, a carta enviada ao governo pela CNI esclarece que o momento posterior à pandemia exigirá do governo um foco em políticas de retomada da atividade produtiva e da geração de empregos no país. Para isso, afirma a entidade, serão necessários acordos comerciais mais equilibrados com parceiros que tenham potencial de gerar mais impactos positivos na produção do país.

Argentina

A posição da CNI se soma ao posicionamento da segunda maior economia do bloco. Em declaração conjunta, assinada na quinta-feira, 23, a indústria brasileira e a União Industrial Argentina (UIA) manifestaram preocupação com a falta de transparência nas negociações entre MERCOSUL e Coreia do Sul, bem como com a falta de capacidade das indústrias do bloco em enfrentar práticas desleais de comércio. Dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) revelam que a Coreia do Sul é o segundo principal alvo de medidas de defesa comercial, atrás apenas da China.