Defesa

Considerações acerca da V Cúpula das Américas, Por
31/07/2009
Missões internacionais de paz em debate
05/08/2009

Bases militares

Colômbia busca apoio para acordo com os Estados Unidos

Na próxima quinta-feira, o presidente colombiano Álvaro Uribe, aterriza em Brasília para explicar ao colega Luiz Inácio Lula da Silva, o teor do acordo militar que negocia com os Estados Unidos.

Nesta quarta-feira, Uribe discute o assunto com Evo Morales, em La Paz.

Ele deverá encontrar-se ainda com os presidentes da Argentina, Chile, Peru, Paraguai e Uruguai. Uribe não pretende tratar do assunto com os presidentes do Equador e da Venezuela.

O presidente da Colômbia afirmou que não comparecerá à reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasur), que será realizada em Quito, no dia 10 de agosto.

De acordo com o ministério de Relações Exteriores, da Colômbia, Uribe chegará acompanhado do chanceler Jaime Bermudez, mas os encontros serão reservados.

Para a Colômbia, se trata de uma questão bilateral que não diz respeito aos demais países sul-americanos.

Não é o que pensam os demais presidentes.

No governo brasileiro já há quem não esconda a frustração com o presidente Barack Obama que havia prometido uma nova relação com a América Latina.

Pelo acordo, os Estados Unidos poderão utilizar três bases aéreas colombianas e estará a menos de 1h de qualquer capital da América do Sul.

Estados Unidos

Desde segunda-feira, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, general James Jones, está no Brasil para convencer o governo de que a medida não ameaça a soberania dos países sul-americanos.

Jones esteve com o assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, para quem o acordo representa um resquício da Guerra Fria.

Para Garcia, “esta é uma região que está num processo de evolução democrática pacífica muito grande. Está na hora de uma ação mais diplomática e talvez, evitar, um pouco, uma guerra midiática”.

Marco Aurélio esteve no último final de semana, em Caracas, onde se reuniu com o presidente Hugo Chávez.

Para o Brasil, não há como separar o acordo das tensões entre Colômbia e Venezuela.

Garcia destacou que tanto Colômbia como Estados Unidos deveriam ter explicado à região, o que pretendiam fazer, pois ampliar bases militares na América do Sul, na sua avaliação, não contribui para a distenção.

James Jones ouviu do assessor que a decisão do governo dos Estados Unidos frustra as expectativas de toda a América do Sul em relação à administração Obama.

“Chamamos atenção para o fato de que o presidente Lula manteve muito boas relações com o presidente Bush e alimenta uma expectativa muito maior ainda em relação ao presidente Obama. Dissemos o seguinte: não desperdicem essa opinião favorável que existe no continente vis a vis o governo Obama”, enfatizou.

De acordo com Garcia, o general Jones reconheceu que o assunto fora mal encaminhado.

Além disso, acredita que os Estados Unidos estão dispostos a ouvir os países amigos.

O assessor de Segurança Nacional afirmou que as bases aéreas colombianas serão utilizadas para operações de caráter humanitário e de combate ao narcotráfico.

No entanto, Marco Aurélio Garcia foi claro: “Cachorro que foi mordido por cobra tem medo até de linguiça”.

Para Garcia, “o presidente Uribe teve sensibilidade para se dar conta de que o clima na região não estava bom. Fará um périplo por vários países para dar as explicações que lhe parecem necessárias e pertinentes, e isso é um gesto de humildade, é um gesto positivo, que demonstra concretamente que ele se deu conta de que as coisas não foram bem comunicadas”.

O general James Jones também se reuniu com os ministro da Defesa, Nelson Jobim, de Minas e Energia, Edison Lobão, da Casa Civil, Dilma Rousseff, e com os presidentes da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes.

Nesta quarta-feira, ele terá audiência com o chanceler Celso Amorim.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *