Brasília, 25 de maio de 2020 - 08h40
Colômbia é mais um país que militariza fronteira com Brasil

Colômbia é mais um país que militariza fronteira com Brasil

14 de maio de 2020 - 17:41:29
por: Marcelo Rech
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Brasília – Depois da Argentina, Bolívia, Uruguai e Paraguai, agora é a vez da Colômbia militarizar a fronteira com o Brasil como medida para conter o avanço do coronavirus. Nesta quarta-feira, 13, o presidente Iván Duque, tomou a decisão de reforçar a presença militar nas fronteiras, principalmente no estado colombiano do Amazonas, fronteiriço com Peru e Brasil, e o mais atingido pela doença. A principal preocupação é a contaminação por populações flutuantes, que transitam de um país para o outro em zonas de fronteira.

De acordo com o governo, a Colômbia tem, até o momento, mais de 12 mil casos confirmados de contaminação pela Covid-19 e 493 mortes. O Brasil registra mais de 178 mil casos e 12.461 mortes, e o Peru, mais de 72 mil casos e 2.057 mortes.

Na Colômbia, a população está em isolamento desde 24 de março, duas semanas após a detecção do primeiro caso. O estado do Amazonas, com maioria de população pobre e indígena, tem a maior taxa de infecção per capita na Colômbia, com 94 pessoas contaminadas para cada 10 mil habitantes.

De acordo com Iván Duque, além do reforço militar nas fronteiras, é preciso endurecer as medidas de isolamento preventivo obrigatório e a exigência de medidas como o uso de máscaras e o distanciamento social pela população que vive na fronteira.

Segundo ele, "foi tomada a decisão de militarizar com mais presença todos os pontos de fronteira e exercer o devido controle, para evitar que cheguem casos de populações flutuantes", afirmou.

Além disso, o estado colombiano do Amazonas, cuja capital é Leticia, cidade que divide fronteira com Tabatinga (AM), enfrenta ainda outro problema: mais da metade dos presos foi infectado. São pelo menos 90 casos confirmados entre os 181 presidiários, que se encontram numa prisão com capacidade para 118 pessoas. Leticia tem 76 mil habitantes e conta com apenas um hospital público, sem unidades de terapia intensiva.

Após reunião com o governador do estado do Amazonas, Jesús Galdino, e com o prefeito de Leticia, Jorge Luís Mendoza, Duque reconheceu que o presídio se tornou um foco de contágio e afirmou que foram determinadas "medidas especiais de contenção diante da situação prisional. Estamos trabalhando com todas as recomendações epidemiológicas para reduzir as consequências da pandemia", explicou.

Ele disse ainda que a capacidade hospitalar do Amazonas será ampliada com o aproveitamento da infraestrutura hoteleira da região, além de recursos do Ministério da Saúde colombiano. No dia 12, um avião Hércules C-130 da Força Aérea foi enviado para a região com 17 profissionais de saúde, entre médicos, bacteriologistas e enfermeiros, e agentes da Defesa Civil para fortalecer o atendimento na região.

O governo informou também que foram enviados testes e máquinas de detecção de covid-19, além de drones de nebulização térmica para fazer a desinfecção de locais. O ministro da Saúde, Fernando Ruiz, revelou que 55 mil máscaras serão distribuídas para a população do Amazonas e anunciou que destinará 14 bilhões de pesos colombianos (cerca de R$ 21 milhões) para o hospital de Leticia. Os recursos serão liberados nas primeiras semanas de junho. Serão distribuídas ainda 4 mil cestas básicas para as famílias do estado.

Brasil

No dia 19 de março, o governo brasileiro publicou uma portaria restringindo a entrada de estrangeiros pelas fronteiras com os países sul-americanos, para evitar a contaminação e a disseminação do novo coronavírus. A restrição incluía o Suriname, a Guiana Francesa, a Guiana, a Colômbia, a Bolívia, o Peru, o Paraguai e a Argentina. A medida foi recomendada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em nota técnica elaborada pela equipe do órgão.

No último domingo (10), o Ministério da Defesa brasileiro emitiu nota detalhando as atividades da Operação Covid-19, ativada desde 20 de março para o planejamento do emprego das Forças Armadas no combate à pandemia causada pelo novo coronavírus.

"No sábado, 9, uma aeronave C-105 da Força Aérea Brasileira (FAB) decolou de Manaus com destino ao município de São Gabriel da Cachoeira, a mais de 800 quilômetros da capital amazonense, transportando 20 cilindros de oxigênio para apoiar o tratamento dos pacientes da localidade. Neste domingo, 10, mais 50 cilindros chegaram ao município, situado no extremo norte do país, próximo à fronteira do Brasil com a Colômbia e a Venezuela", informa o texto.