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Colômbia tenta salvar a Cúpula das Américas

Colômbia tenta salvar a Cúpula das Américas

Brasília – O presidente colombiano Juan Manuel Santos estará em Havana nesta quarta-feira, 7, para discutir com o colega Raul Castro, uma fórmula que permita salvar a Cúpula das Américas que acontecerá em Cartagena de Índias, entre 9 e 15 de abril. Os Estados Unidos não aceitam a participação de Cuba e os países da ALBA ameaçam boicotar o evento se Cuba for excluída.

Em 12 anos, essa é a primeira viagem de um presidente colombiano a Havana.

Na semana passada, Santos enviou sua chanceler María Ángela Holguín a Cuba. Ela que retornou sem uma solução.

De acordo com o porta-voz do Departamento de Estado do governo norte-americano, William Ostick, Cuba não cumpre com os requisitos necessários para participar da Cúpula das Américas.

Os Estados Unidos exigem que Cuba retorne à Organização dos Estados Americanos (OEA), mas o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez foi taxativo.

Segundo ele, “Cuba não regressará à OEA, não lhe interessa ter qualquer relação com essa organização que serviu aos propósitos de dominação, ocupação e agressão, como plataforma dos Estados Unidos para agredir e espoliar a América Latina”.

Juan Manuel Santos aproveitará a ocasião para reunir-se em Havana com o presidente venezuelano Hugo Chávez, com quem assinará um acordo comercial. Ele estará acompanhado da ministra de Relações Exteriores e do ministro de Comércio, Sérgio Diaz Granados.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

O presidente colombiano Juan Manuel Santos foi ministro de Álvaro Uribe e por sua gestão à frente do ministério da Defesa em particular, construiu a candidatura que lhe permitiu substituir o chefe.

Dono de um estilo conciliador, Santos tratou de restabelecer as relações com Equador e Venezuela e de implementar uma política exterior voltada para a região. Exemplo dessa nova postura colombiana, a Secretária-Geral da UNASUL, María Emma Mejía.

Em 2012, a Colômbia será sede de duas importantes Cúpulas, a das Américas agora em abril, e a Ibero-americana, no final do ano, em Cali.

Santos não quer perder os resultados de um intenso e árduo trabalho de diplomacia e geração de confiança.

Por isso, está pessoalmente tratando de garantir que a Cúpula das Américas seja um êxito. Nesta segunda-feira, 5, conversou com os presidentes do Chile, México e Peru, por teleconferência. Nesta quarta-feira, 7, estará em Havana com os presidentes Raul Castro e Hugo Chávez.

Se os países da ALBA de fato boicotarem a Cúpula, serão 8 países a menos no evento (Antígua e Barbuda, Bolívia, Cuba, Dominica, Equador, Nicarágua, São Vicente e Granadinas e Venezuela). Se Cuba participar, os Estados Unidos não irão.

Importante assinalar que a posição dos países da ALBA não é unânime.

O presidente colombiano está colocando seu prestígio pessoal numa polêmica em que correm risco a relação com os vizinhos e com o seu principal aliado ao Norte.

Washington não receberá nada bem a possibilidade de Barack Obama dividir a mesma mesa com Raul Castro, principalmente às vésperas de uma eleição que pode se decidida mais uma vez na Flórida e com os votos latinos.

Como os Estados Unidos acreditam que a Cúpula das Américas poderá relançar as relações do país com a América Latina, o vice-presidente Joe Biden, se reunirá nesta terça-feira, 6, em Tegucigalpa, com os presidentes de Honduras, Porfírio Lobo; da Costa Rica, Laura Chinchila; de El Salvador, Maurício Funes; da Guatemala, Otto Pérez; da Nicarágua, Daniel Ortega; e do Panamá, Ricardo Martinelli.

Além da agenda própria voltada para a região, quer garantir a presença de todos eles em abril, na Colômbia.

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